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marcus gomes

Virginia Fonseca comenta, rebola e já vem com pilha

 

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) cobra R$ 300 para emitir a carteirinha dos profissionais de imprensa não sindicalizados. Os filiados pagam 75 mangos; os inadimplentes, 150. Em qualquer das situações, no entanto, o documento precisa ser renovado a cada três anos. Por que raios não vale para sempre? O RG vale para sempre.

A Fenaj é a entidade que representa os jornalistas, profissão considerada a segunda mais antiga do mundo. A primeira é aquela, porque ninguém é de ferro.

Em 2005, a Fenaj apoiou a criação do Conselho Federal de Jornalismo, o que parecia bonitinho. Mas era ordinário. Entre as diretrizes do novo conselho constava a de instalar comissões internas nas redações para “avaliar” notícias. Os não engajados gritaram. E o grito reverberou. Afinal, era censura na verdadeira acepção da palavra. A Fenaj pediu um soviete. Ganhou uma banana.

Mais de dez anos depois, a entidade voltou à pauta. E, dessa vez, logrou êxito. A liberdade de imprensa e de expressão foi relativizada, e o que se vê hoje é o autêntico produto desse trabalho. A federação, entretanto, acha que tem um nome a zelar e saiu em protesto contra a decisão da Globo de escalar a influencer Virginia Fonseca como analista de futebol da Copa do Mundo.

Foi ela que comprou

Virginia namorou Vini Jr., atacante do Real Madrid recentemente convocado para a seleção brasileira. É uma de suas credenciais. As outras são a capacidade de rebolar, gritar, torcer, dar pulinhos e exibir sua beleza em cena. Sim, os atributos físicos são da influencer. Ela comprou todos eles. Joana Prado, a “Feiticeira”, disse o mesmo quando indagaram sobre seus seios: “Sim, são meus. Fui eu que comprei”.

Durante quatro décadas, Galvão Bueno foi a Virginia Fonseca da Globo. Ele gritou, torceu e deu pulinhos. Se exibiu sua beleza, não me ocorre. Se saiu sacudindo, também não.

Lembremos que ele reagiu histérico à vitória da seleção nos pênaltis, naquela final contra a Itália em 1994: “É tetra, é tetra, é tetra, é tetra!”. Virou a marca do jornalismo da emissora. Nunca mais Galvão precisou trocar a pilha.

Mas Galvão é jornalista. Ou acho que se enquadra na categoria. É difícil saber. Desde que o ministro Gilmar Mendes, do STF, comparou jornalistas a confeiteiros — com escusas aos confeiteiros —, ser um profissional de imprensa combina com qualquer coisa. Inclusive com o miserê narrativo de Galvão.

Isso é o de “menas”

Virginia não dividirá a cabine da Globo com experts do futebol. Se bem que, no quesito português, ela tenha mais intimidade com o plural e a concordância do que os ex-jogadores Grafite e Richarlyson.

A influencer apresentará seus dotes futebolísticos no Caldeirão do Huck. Convenhamos, o programa requer uma dose cavalar de sal de fruta, o apresentador é obtuso e o futebol está longe de ser a sua atração principal. O que Virginia pensa sobre Curaçao x Uzbequistão ou Brasil x Haiti não faz a menor diferença.

Galvão Bueno também não domina o elementar do futebol. O papel dele sempre foi o de um torcedor apaixonado, disposto a maltratar repórteres e dar pitacos sobre a arbitragem. Ele erra todas.

Agora, contratado pelo SBT, ele irá narrar os jogos da seleção e já adiantou que não pretende mudar seu estilo consagrado durante décadas. Se precisar, grita. Se precisar, pula. Se precisar, rola. Se precisar, faz caras e bocas. Se precisar, evoca Silvio Santos e distribui dinheiro. A Fenaj aprova. E espera que ele pague a carteirinha.

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