
Extremos de uma mesma estrada, o nascimento marca o início de uma jornada sobre a qual não sabemos nada. Absolutamente nada. Sabemos, porém, que ela é finita. Rezamos para que seja longa e profícua, mas, de nós depende apenas viver. E o incrível é que nem sempre vivemos. Muitos, e isso é muito triste, apenas viram as páginas dos calendários, dando baixa em um dia após o outro, como se fosse um fardo pesado às costas condenados a carregar.
A consciência vem de qualquer forma, como dizia Sidharta Gautama, o Buda. Pelo amor ou pela dor a evolução acontece.
Por outro lado, temos tantas histórias de vidas vibrantes, construtivas, carregadas de uma energia que parece que nos contaminam. A vida dessas pessoas são verdadeiros repositórios de equilíbrio para o mundo. São pessoas que trazem consigo o dom de confortar aos outros nos momentos de dificuldades. São pessoas que mesmo diante de seus momentos mais difíceis, onde tem que lidar com suas próprias dores, diante de um diagnóstico de doença incurável e morte, ainda deixam, indelevelmente, marcas de seu autruismo e determinismo à buscar a felicidade.
Oliver Sacks, neurologista e escritor foi uma dessas pessoas. Escreveu uma carta de despedida, aos 81 anos, quando descobriu um câncer no fígado em estado avançado, prometendo viver os dias que ainda tinha de vida da forma mais intensa e produtiva que pudesse. Disse ele”Sinto-me intensamente vivo, e quero e espero, no tempo que resta, aprofundar minhas amizades, dizer adeus aos que amo, escrever mais, viajar mais, e, se eu tiver forças, alcançar novos níveis de compreensão e entendimento. Acima de tudo, fui um ser consciente, um animal pensante, neste belo planeta, e só isso já foi um enorme privilegio e uma aventura”.
Gostaria de encerrar esta reflexão sobre viver e morrer, bebendo da seiva literária do mestre Rubem Alves, que dizia” Não tenho medo da morte, embora tenha medo de morrer. O morrer pode ser doloroso e humilhante, mas à morte eis uma pergunta: Voltarei para o lugar onde estive sempre, antes de nascer, antes do Big Bang? Durante esses bilhões de anos, não sofri e não fiquei aflito para que o tempo passasse. Voltarei para lá até nascer de novo”.
Sigamos pois, caro leitor, nesta nossa jornada de evolução e crescimento, que como a de todos, contempla os mais diversos momentos de dores e de alegrias. Não é uma estrada linear, não poderia ser, seria monótona demais. Este caminho contempla cumes e vales, dias ensolarados e outros chuvosos, momentos inesquecíveis e outros que nos esforçaremos para não lembrar. Todos contribuiram para nossa formação. Somos espíritos emprestando uma roupagem física para vivermos uma inesquecível jornada chamada vida que se encerrará um dia na transição da passagem para uma nova vida.
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