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FERNANDA GHIGNONE CABECA HOJESC

Verão, viroses e como proteger a microbiota intestinal

DOR

O verão muda a rotina, a alimentação e o ritmo do corpo, mas nem sempre essas mudanças acontecem sem consequências. Para muitas pessoas, a estação vem acompanhada de desconfortos que costumam ser subestimados e tratados como algo passageiro. Diarreias, gases excessivos, distensão abdominal, náuseas e uma sensação de esgotamento que não combina com férias. No entanto, esses sintomas revelam um organismo sobrecarregado e um intestino fragilizado.

As chamadas viroses gastrointestinais encontram no verão o cenário ideal para se disseminar. O calor favorece a proliferação de vírus e bactérias, a conservação inadequada dos alimentos se torna mais comum e a ingestão de água fora de casa de procedência duvidosa aumenta. Ao mesmo tempo, o organismo perde mais líquidos e minerais pelo suor, o que compromete a integridade da mucosa intestinal e enfraquece a microbiota, nossa principal linha de defesa.

Quando a microbiota intestinal entra em desequilíbrio, o impacto vai muito além do desconforto digestivo. Um intestino inflamado, desidratado e com a microbiota alterada se torna mais vulnerável à ação de vírus entéricos, prolongando quadros de virose com diarreia, mal-estar e dor abdominal. Por isso, a recuperação intestinal nesse período precisa ser estratégica.

Do ponto de vista nutricional, o primeiro passo é restaurar a hidratação e deve ir além do simples consumo de água. Em casos de diarreia, soluções caseiras ajudam a repor líquidos e eletrólitos de forma eficaz. Uma opção segura é a combinação de um litro de água filtrada, uma pitada pequena de sal e uma colher de sopa rasa de mel, utilizada ao longo do dia em pequenos goles. Água de coco natural, caldos leves de legumes e chás também contribuem para restaurar o equilíbrio hidroeletrolítico sem agredir o intestino.

As infusões de plantas carminativas ajudam a reduzir gases e cólicas, promovendo conforto digestivo, com destaque para a erva-doce, o funcho e a camomila, que são seguras e bem toleradas. A hortelã e o gengibre, auxiliam no alívio de náuseas e no estímulo da digestão, especialmente em períodos de maior sensibilidade gastrointestinal. Para a proteção da mucosa intestinal, a infusão de calêndula contribui para a regeneração do epitélio intestinal após processos infecciosos.

Na alimentação, a estratégia é reduzir a inflamação e facilitar a digestão. Preparações simples, como legumes cozidos, banana, maçã cozida ou assada e raízes como mandioquinha e abóbora, ajudam a reorganizar o trânsito intestinal. Alimentos ultraprocessados, açúcar em excesso e bebidas alcoólicas devem ser evitados durante a recuperação, pois aumentam a permeabilidade intestinal e prolongam o quadro.

A suplementação, quando bem indicada, acelera a regeneração da mucosa intestinal. Probióticos específicos auxiliam na recomposição da microbiota após viroses, enquanto nutrientes como zinco, glutamina e vitamina D participam da integridade da barreira intestinal e da resposta imunológica. Em quadros mais prolongados, a deficiência desses nutrientes é comum e pode perpetuar os sintomas.

O intestino, porém, não se recupera sozinho se os hábitos não acompanham o tratamento. Dormir mal, consumir álcool em excesso e manter uma alimentação desorganizada prolongam o processo inflamatório e favorecem novas infecções. Cuidar do intestino no verão é também uma escolha de estilo de vida, que envolve atenção ao descanso, ao manejo do estresse e à regularidade das refeições.

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