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GLENN STENGER CABECA hojesc

Verão Maior Paraná e o futebol. O que ambos têm em comum?

Entretenimento não é “pão e circo”!

O ser humano não é uma máquina que foi projetada apenas para trabalhar, comer e dormir. Diversão faz parte do processo.

No estado do Paraná, está acontecendo uma transformação litorânea. O litoral em si não mudou. As praias continuam lá. Mas tiveram suas faixas de areia alargadas e houve a conclusão de várias obras que dão mais conforto/beleza para elas. Melhorou-se a infraestrutura para que as mesmíssimas praias possam ser frequentadas.

Ainda há muito por realizar para que tenhamos praias nível A, com boa logística, bons restaurantes, comércio apropriado. Mas fato é que, em poucos anos, já houve expressiva evolução, e aquilo que era “meia boca” hoje já se torna objeto de desejo.

O governo também acertou na ação de levar para lá (em duas cidades litorâneas distintas) shows dos mais diversos artistas. Artistas para todos os gostos. Há um custo? Óbvio que sim! Mas o retorno direto (dinheiro deixado nos comerciantes locais, empregos e oportunidades) e o retorno indireto (visualização de nosso litoral para todo o País como nunca antes havia acontecido, gerando a vontade de lá estar), compensam, com muita sobra, o montante investido.

Não se trata de “pão e circo”. Trata-se de investimento no estado, aumento de potencial de venda do “produto” e retorno assertivo sobre o que foi aportado.

Então tá! Mas o quê isso tem a ver com futebol? TUDO!!!

Imaginemos o retorno que teríamos, acaso algumas dessas premissas fossem levadas para dentro do mundo do nosso esporte.

– Já pensaram que investimentos em infraestrutura nos estádios e nos seus entornos fariam com que novos adeptos viessem, jogo pós jogo, deixar dinheiro nesse ecossistema? Quantas e quantas pessoas deixam de ir aos jogos pois os estádios (nem todos, obviamente) não apresentam as condições básicas de conforto que o mundo, em 2026, exige?

– Já pensaram o quanto uma tabela de campeonato melhor planejada, ajudaria na logística de consumidores? Ou achamos que jogos as 21:30hrs, de quartas-feiras, atraem público? Melhores datas e horários são urgentemente necessários.

– Já pensaram que as experiências, em dias de jogos (gastronomia apropriada, brincadeiras com crianças), são também atrativos para que o público venha deixar o seu dinheiro no estádio de futebol?

– Já pensaram que bons “artistas da bola” fazem com que pessoas se desloquem aos estádios? Hoje temos quantos desses “artistas da bola” desfilando nos gramados brasileiros? Contamos nos dedos… o resto é jogador operário, mais do mesmo.

– Já pensaram quanto podemos melhor expor o nosso produto – futebol – para o mercado externo (não girando em torno de nossos próprios umbigos) e sendo muito melhor remunerados por essa exposição.

Pois é. Aí estão os pontos para pensarmos, para fazermos uma autoanálise.

O investimento no litoral e o produto futebol são coisas diferentes? Sim, são. Mas o público consumidor é muito parecido tanto no aspecto cultural quanto no aspecto de capacidade financeira.

As praias não mudaram. Continuam lá, iguais. O futebol não precisa mudar. O que precisa mudar é a forma com que nós entendemos o produto e vendemos as experiências que o produto nos gera. Investimento não é custo, se bem feito e bem planejado!

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