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Venceu o antipetismo de chegada

Venceu o antipetismo de chegada

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Que Flávio Bolsonaro não infle os balões, julgando-se um prodígio. Não é. Pertence ao baixo clero da política, onde, aliás, o pai plantou raízes. Quem disputará o segundo turno das eleições no próximo dia 25 é um ente despersonalizado, um ectoplasma chamado antipetismo de chegada, que pode varrer, de uma vez por todas, Lula e o PT do cenário político.

Nunca antes na história — para usar uma expressão cara ao petista — um presidenciável vencedor no primeiro turno deixou de vencer o segundo. A diferença, numericamente, é de 55 milhões a 53 milhões de votos: 47,15% x 45,01% a favor de Flávio, com 99,3% das urnas apuradas. Na véspera, as pesquisas eleitorais indicavam uma vantagem de cinco pontos de Lula sobre seu adversário. O tracking da campanha do PT dizia o mesmo. Não contavam com a astúcia do eleitor.

Tudo indica que uma nova onda de direita toma conta do país, o que acentua a situação dramática do presidente, ainda que não irreversível.

Perder a primeira rodada da eleição, entretanto, não estava nos planos de Lula. Ontem, no discurso pós-apuração, ele se autoelogiou, lembrando de seus feitos na área de inclusão social. Esqueceu-se de mencionar que 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada. Outros 90 milhões não dispõem de coleta de esgoto. É o básico.

Lula perdeu para o poste, o avatar, e, mais do que isso, perdeu para si mesmo. Ora, tendo a seu dispor um arsenal de emergência que lhe abriu as portas para um pacote cheio de bondades e de falsa preocupação com o endividamento das famílias — que só veio na undécima hora com a proibição das bets —, o presidente esperava chegar a um quarto mandato com certa tranquilidade.

Ele não pode se queixar. A certa altura contou com o auxílio luxuoso de Donald Trump, cujas tarifas impostas ao Brasil o municiaram com o discurso da soberania. Em igual medida, foram-lhe úteis, do ponto de vista eleitoral, as decisões ultrajantes e polêmicas dos ministros do Supremo, todas em favor da reeleição do petista. Mesmo assim, Lula chafurdou, escorregou no verbo e na verba, e não deu a atenção devida ao derretimento protagonizado por seus aliados, do Oiapoque a Marilena Chauí.

Caso exemplar é o de Eduardo Paes (PSD), cuja vitória para o governo do Rio, ainda no primeiro turno, era dada como favas contadas. Douglas Ruas (PL) somou 49% dos votos válidos contra 42% de Paes, mas pode ser declarado vencedor se a Justiça Eleitoral anular os votos depositados no sub-judice Anthony Garotinho.

Em discurso, Lula sustentou a tese falida do “nós” contra “eles”, do “bem” contra o “mal”. A verdade é que ele cansou e agora encarna o Joe Biden que todos temiam: gasto, claudicante e ultrapassado. Se perder a eleição no fim de outubro, o fracasso não será uma exclusividade do petista. Saem derrotados também aqueles que ainda lutam para renovar seu mandato: o Supremo com suas chicanas; os velhos caciques da política — alguns deles, aliás, arrastados no mesmo torvelinho —; o populismo de republiqueta; os escândalos financeiros; e o incentivo ao informalismo, que resultou em baixos índices de desemprego falsificados por um empreendedorismo de fancaria.

Perde também a deslumbrada do Palácio do Planalto, cujo nome, se não me escapa, é Janja. E Geraldo Alckmin, o vice, cujo desejo inconfesso pode muito bem acalentar a morte do octogenário Lula no cargo para que, enfim, ele se aposse do trono sem a pecha de usurpador.

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