Quando o vocalista David Lee Roth saiu do Van Halen a banda logo angariou Sammy Hagar para a função. Além de um exímio vocalista, com uma carreira solo extraordinária, Hagar é um excelente guitarrista. Com essa formação lançaram seu sétimo álbum, 5150, em 24 de março de 1986 (quarenta anos!). Com produção de Mick Jones e Donn Landee, o álbum foi um sucesso de público e crítica, Eddie Van Halen comandou a banda e deu uma estrutura mais rápida e melódica, sem perder a pegada Hard Rock de sempre. Um verdadeiro “discaço”.

A abertura com Good Enough é explosiva e cheia de atitude. A introdução com gritos e energia quase ao vivo remete à fase anterior da banda, mas rapidamente a cançãoa revela um riff sólido e direto. A guitarra de Eddie utiliza timbre encorpado, com distorção definida e ataque claro. A bateria de Alex Van Halen é marcante, com bumbo forte e caixa seca. Sammy Hagar estreia com vocal potente e mais controlado que Roth, mostrando maior precisão melódica.
Em Why Can’t This Be Love a mudança de direção fica evidente. A canção é construída sobre um riff de teclado sintetizado, que substitui a guitarra como elemento principal nos versos. A harmonia é mais rica, com progressões que ampliam o espaço melódico. A bateria trabalha com groove constante, sem exageros. O refrão é extremamente melódico, com Hagar explorando notas sustentadas. A guitarra aparece mais como complemento, adicionando textura em vez de protagonismo.
Get Up é uma das faixas mais agressivas do álbum. O riff é rápido e baseado em palhetadas alternadas, com forte influência do hard rock mais direto. Eddie utiliza frases curtas e precisas, enquanto a bateria acelera com viradas intensas. O vocal de Hagar é mais rasgado, aproximando-se da energia do hard rock tradicional.
Dreams é uma das faixas mais emblemáticas da nova fase. Construída sobre camadas de sintetizadores, a canção apresenta uma estrutura expansiva e emocional. A guitarra aparece de forma mais atmosférica, com acordes sustentados e solo altamente melódico. Sammy Hagar entrega uma de suas performances vocais mais impressionantes, com grande alcance e controle.
Summer Nights retorna ao território da guitarra. O riff principal é baseado em acordes abertos e uso expressivo de alavanca, criando sensação de leveza e movimento. A bateria mantém groove constante, e o baixo de Michael Anthony reforça a base com precisão.
Best Of Both Worlds é uma das faixas mais equilibradas do álbum. Combina riffs de guitarra com presença de teclados, criando textura híbrida. A estrutura é dinâmica: versos mais contidos e refrões expansivos. O vocal de Hagar explora bem sua capacidade melódica, enquanto Eddie mostra sua força na guitarra.
Love Walks In tem uma introdução atmosférica de sintetizador, criando clima quase etéreo. A entrada da banda é gradual, mantendo a ambiência. A estrutura privilegia melodia e espaço. O solo de guitarra é espetacular, funcionando como extensão da linha vocal.
“5150”, a faixa-título, é mais complexa estruturalmente. O riff principal é fragmentado, com pausas e variações rítmicas que criam tensão. A guitarra de Eddie é protagonista, explorando mudanças de dinâmica e fraseados mais elaborados. A bateria de Alex Van Halen acompanha com precisão, reforçando as transições. O vocal de Hagar mantém intensidade constante, sem perder controle.
Inside é uma das faixas mais incomuns do álbum. Baseada em groove mais simples, com forte presença de vozes e efeitos de estúdio. A canção tem caráter quase experimental e descontraído, com clima de improvisação. Funciona como epílogo leve após a intensidade das faixas anteriores.
5150 representa uma reinvenção bem-sucedida do Van Halen. A entrada de Sammy Hagar trouxe maior sofisticação melódica, enquanto Eddie Van Halen expandiu seu papel, incorporando teclados e arranjos mais complexos. O álbum equilibra peso, melodia e produção refinada, marcando o início de uma nova fase da banda, menos crua, mais estruturada, sem perder a pegada hard rock. O verdadeiro rock’n’roll. O bom e velho rock’n’roll.

