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marcus gomes

Uma pesquisa com o carimbo dos padrinhos

padrinho

Pouco importa a sigla partidária responsável pelo pedido de suspensão dos resultados da mais recente pesquisa ao governo do Paraná. Se fez, fez muito bem. A sondagem, encomendada pelo PL, foi barrada pela desembargadora eleitoral Sandra Bauermann, do TR eleitoral, na última quinta-feira (5).

E ela não precisou de muito esforço para constatar que o questionário apresentado ao eleitor pelo instituto Paraná Pesquisas comprometia, flagrantemente, a neutralidade e a confiabilidade dos resultados.

Pudera. Alguns nomes de pré-candidatos, na pesquisa estimulada, foram associados textualmente a seus padrinhos políticos. “Requião Filho com apoio do presidente Lula”, “Giacobo com apoio de Bolsonaro” e “Guto Silva com apoio do governador do estado”.

O Paraná Pesquisas entrou com recurso e espera que a divulgação dos resultados seja autorizada em breve. Improvável. As falhas do levantamento vão além do carimbo dos padrinhos sobre o nome dos afilhados.

Lembremos que outros nomes na lista de pré-candidatos não trazem referência semelhante e as simulações não respeitam, sequer, o princípio da isonomia entre os concorrentes.

Luiz França, do Missão, por exemplo, foi solenemente excluído nas projeções de segundo turno, enquanto Sérgio Moro (União Brasil), líder nas pesquisas, é onipresente em todos os cenários.

Terceira via

Com tantos postulantes a sucedê-lo no cargo – além de Guto Silva, Alexandre Curi, presidente da Assembleia, e Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba – o governador Ratinho Junior, do PSD, parece nadar de braçada. A pouco menos de sete meses da eleição, ele mantém altíssima popularidade no Paraná, com aprovação superior a 80%. Se a lei permitisse um terceiro mandato, ele repetiria o feito e bateria impiedosamente seus adversários ainda no primeiro turno.

Em sondagens recentes, Ratinho Junior surge como uma terceira via à presidência da República, com chances de dividir os votos do eleitorado de Lula na região Nordeste e esmagar a concorrência de Flávio Bolsonaro, o 01. Especialistas afirmam que essa terceira via é uma autoestrada promissora se considerada a derrocada dos polarizados.

As alternativas também são promissoras. O governador pode concorrer ao Senado, uma eleição certa, ou permanecer no Paraná, atuando nos bastidores do PSD, no que se definiria como pausa estratégica para disputar e vencer o pleito presidencial de 2030 sem descabelar-se ou perder o topete.

Contudo, antes de tomar a decisão de abril, e desincompatibilizar-se do cargo, o mandatário precisa dar uma solução aos problemas domésticos. Os três postulantes do PSD ao governo estão à espera do mensageiro. Caso sejam os escolhidos, terão ainda que trabalhar duro para derrubar Sérgio Moro da liderança das pesquisas. Em janeiro, o mesmo Paraná Pesquisas mostrou que o senador abriu uma vantagem de 20 pontos porcentuais em relação aos adversários. A sorte é que a eleição é lá, não logo ali.

Eis um argumento suficiente para dispensar ‘ajudinhas’ extemporâneas.

Na mosca

Capitaneada por Murilo Hidalgo, o Paraná Pesquisas deve muito do prestígio alcançado à divulgação dos números da apertada disputa entre Lula e Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022. Enquanto institutos de renome previam uma vitória do petista com folga, o Paraná Pesquisas cravou uma diferença insignificante e um resultado que dividiria o país. Foi o que ocorreu.

Entretanto, todo o esforço para figurar entre os principais institutos de opinião do país pode ir por água abaixo se Hidalgo perseverar em associar candidatos a padrinhos e vice-versa. Apoio é uma coisa, carimbo é outra. Imaginemos que, ao fim e ao cabo, o resultado das urnas passe longe da previsão das pitonisas de Hidalgo. Toda a credibilidade conquistada aos poucos, com dedicação e esforço, será perdida em uma fração de segundo.

Aconteceu com o poderosíssimo Ibope, pode acontecer com o Paraná Pesquisas.

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