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SEGURANÇA

Tubarão e Blumenau estão entre 10 cidades menos violentas do País; São Caetano do Sul (SP) lidera ranking

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As cidades menos violentas no Brasil – se considerar a proporção de assassinatos – estão no Sudeste do País. Sete dos 10 municípios com a menor taxa de mortes violentas intencionais (MVI) por 100 mil habitantes estão em São Paulo e os demais, em Santa Catarina. Se considerar o top 20, aparecem também municípios de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Os dados fazem parte da pesquisa para o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na semana passada. Para este cálculo, foram consideradas somente as cidades com mais de 100 mil habitantes.

As mortes violentas intencionais são tratadas como o principal indicador para aferir os níveis de violência do Brasil, agregando casos de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.

10 cidades menos violentas do brasil

No topo da lista está São Caetano do Sul, no ABC paulista, com taxa de 1,2 morte violenta intencional por 100 mil habitantes. Historicamente, a cidade aparece no topo de rankings de qualidade de vida, por seus bons resultados em áreas como educação e saúde, além de oferecer boa infraestrutura urbana. Na sequência, aparece Tubarão, em Santa Catarina (1,7).

As capitais menos violentas são São Paulo (taxa de 7,2), Brasília (9,6), Goiânia (11,4), Florianópolis (11,4) e Vitória (13,7). As mais violentas são Salvador (44), Maceió (39,4), Recife (36,3), Macapá (36,1) e Porto Velho (34,6).

A média de mortes violentas por cem mil habitantes no País é de 19,1. Embora tenha caído nas últimas décadas, o índice é considerado bastante elevado para os padrões internacionais.

As cinco cidades menos violentas do Brasil

No Brasil, pesquisas mostram forte correlação entre taxas de homicídios e disputas entre facções, como o Primeiro Comando do Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Em muitos casos, porém, a redução dos assassinatos não está ligada à redução da criminalidade, mas ao domínio do tráfico de drogas por um dos grupos, o que reduz os confrontos entre gangues.

Especialistas têm apontado também para a necessidade de considerar outros fatores no diagnóstico e definição de políticas públicas voltados ao combate à violência, como roubos e golpes (muitas vezes subnotificados, diante da falta de confiança da vítima na resolução policial do delito).

Outro aspecto de medição complexa são os impactos do controle armado do território, feito por facções que impõe regras, extorquem e torturam moradores de comunidades, como faz o CV em favelas do Rio de Janeiro.

Rotas do tráfico põem Nordeste como polo de cidades mais violentas

O Nordeste reúne os municípios com as maiores taxas de mortes violentas do Brasil. Entre os motivos, estão os corredores logísticos da droga que passam pela região (rodovias, portos e aeroportos), ou seja, rotas usadas pelo tráfico para escoar entorpecentes para o consumo interno e o comércio transnacional.

Esse cenário acirra disputas territoriais armadas entre facções e eleva o número de mortes decorrentes de intervenção policial.

“O que as 10 cidades mais violentas têm em comum? Acesso privilegiado a alguma rota direta para alguma BR ou outra rodovia estratégica para o escoamento da droga”, disse ao Estadão Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A mais violenta do Brasil, a cearense Maranguape, com taxa de 100,3 mortes por 100 mil habitantes, é atraente para os grupos criminosos pela proximidade com rodovias como a CE-065 e a BR-222.

Conforme mostrou o Estadão, Maranguape reúne ao menos quatro grupos criminosos em guerra: o PCC, o CV, além de grupos locais, como Massa Carcerária e Guardiões do Estado. Procurada para comentar, a Secretaria da Segurança do Ceará não falou.

O Sul da Bahia também mereceu destaque do Fórum de Segurança, que registrou a inclusão de Eunápolis e Porto Seguro, ambas no sul da Bahia, na lista das cidades mais violentas.

Entre as facções que atuam na região, estão o CV, o Mercado do Povo Atitude (MPA) e o Primeiro Comando Eunápolis (PCE), que surgiram localmente, e o Bonde do Maluco (BDM), uma organização baiana que tem crescido nos últimos anos.

O Fórum destaca que Eunápolis também se “apresenta como um ponto estratégico por sua localização, cruzada por duas rodovias nacionais (BR-101 e BR-367)”.

A Secretaria da Segurança da Bahia afirma que, com mais de 500 operações deflagradas pelas forças policiais, os assassinatos apresentaram diminuição de 20% no 1º semestre deste ano. Houve também, segundo a pasta, aumento nas prisões (10%) e nas apreensões de armas de fogo (5%).

Na região de Porto Seguro e Eunápolis, o Estado destaca as criações do Comando de Policiamento da Região Extremo Sul da PM, da Diretoria Regional da Polícia Civil, além de uma Base de Inteligência que integra forças estaduais e federais.

Acrescenta ter investido R$ 1,3 bilhão em estruturas, viaturas, armamentos e equipamentos de inteligência, além de contratar 11 mil policiais, peritos e bombeiros.

Foto: Drones Sul/Reprodução site Prefeitura de Tubarão

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