![]()
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira, 23, por meio de sua conta na rede social Truth Social que houve avanço nas negociações com o Irã para o fim das hostilidades no Oriente Médio e, com isso, determinou a suspensão dos ataques à infraestrutura civil do país.
No sábado, Trump dera um ultimato ao Irã de 48 horas para reabrir o Estreito de Ormuz.
Depois do anúncio do republicano, o chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, emitiu um comunicado em que afirma estar “trabalhando intensamente para implementar medidas de passagem segura no Estreito de Ormuz”.
Omã tem atuado frequentemente como mediador entre os Estados Unidos e o Irã. “Independentemente da sua opinião sobre o Irã, esta guerra não foi criada por eles”, disse ele. “O conflito já está causando problemas econômicos generalizados e temo que a situação piore muito se a guerra continuar.”
A televisão estatal iraniana apresentou a primeira reação de Teerã à decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de estender por cinco dias o prazo para a reabertura do Estreito de Ormuz. Em resposta à notícia, o canal iraniano exibiu um gráfico na tela: “Presidente dos EUA recua após firme advertência do Irã”.
Petróleo
Após a postagem de Trump, os preços do petróleo despencaram. Depois das cifras atingirem quase US$ 110 o barril durante o dia, o preço do petróleo Brent, referência global, caiu para menos de US$ 100.
Trump não deu detalhes sobre como o Irã e os Estados Unidos poderiam chegar a um acordo para uma “resolução completa e total” de suas hostilidades. Analistas afirmaram ser difícil identificar uma possível saída para o conflito, visto que Israel e os Estados Unidos pediram a destituição do governo iraniano, que permanece no poder apesar do assassinato de importantes líderes, incluindo o aiatolá Ali Khamenei.
A questão prioritária para o governo Trump é garantir o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Mas igualmente importante é decidir como lidar com os 440 quilos de urânio enriquecido, quase de grau bélico, que se acredita que o Irã tenha armazenado em instalações nucleares em Isfahan e Natanz, bem como se os Estados Unidos e Israel estão prontos para encerrar as hostilidades com a Guarda Revolucionária Islâmica e o novo Líder Supremo.
Se encerrar a guerra com a República Islâmica ainda no comando do Irã, Trump poderá ser visto como alguém que abandonou o povo iraniano, que foi às ruas em janeiro em protestos por todo o país — e foi massacrado pelas forças iranianas. Essas manifestações foram parte do que levou Trump a participar da guerra.
O republicano prometeu uma trégua de cinco dias em relação a ataques dos EUA contra instalações de energia de Teerã, mas não um cessar-fogo mais amplo.
Guerra
Mais de 2 mil pessoas foram mortas desde o ataque conjunto dos EUA e de Israel ao Irã, que iniciou o conflito no dia 28 de fevereiro. A maioria delas morreu no Irã e no Líbano, onde Israel trava uma segunda frente com o Hezbollah, grupo militante apoiado pelo Irã.
As consequências globais do conflito fizeram com que o preço do petróleo e do gás natural subisse mais de 50% desde o final de fevereiro. Os preços de energia subiram porque o Irã bloqueou em grande parte a passagem da maioria dos navios petroleiros ocidentais e árabes pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do petróleo mundial.
Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia, alertou nesta segunda-feira que a crise energética provocada pelo conflito é agora pior do que os choques do petróleo de 1973 e 1979 combinados.
No sábado, 21, o presidente americano ameaçou atacar usinas de energia iranianas se o estreito não fosse totalmente reaberto até a noite de segunda-feira. O Irã rejeitou o ultimato e ameaçou retaliar contra instalações de energia em países que abrigam tropas americanas e usinas de dessalinização, vitais para grande parte da região.
Autoridades americanas têm procurado dissipar as preocupações de que a guerra esteja saindo do controle. O almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central das Forças Armadas, afirmou em uma entrevista televisionada nesta segunda-feira que os EUA estavam “em grande parte à frente ou dentro do planejado para nossos principais objetivos militares” no conflito.
Trump, por vezes, sugeriu que a guerra poderia terminar em breve, embora suas declarações tenham sido frequentemente contraditórias. Autoridades israelenses têm reiteradamente alertado o público para a possibilidade de um conflito prolongado que pode durar semanas.
Com informações do NYT.
Imagem: Gerada por IA
Leia outras notícias no HojeSC.

