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Cinco festas tradicionais de Santa Catarina foram canceladas em 2026, três delas pela previsão de eventos climáticos extremos causados pelo “Super El Niño”, previsto para começar em julho. Todas elas seriam realizadas na região do Vale do Itajaí, que historicamente sofre com alagamentos e estragos causados pelas chuvas.
Entre os eventos adiados está a 22ª Expofeira de Gaspar, que em 2025 reuniu mais de 20 mil pessoas. Um decreto apresentado na quinta-feira, 21, colocou o município em estado de alerta climático que, entre outras medidas, também cancelou o evento.
Em nota, a prefeitura afirmou que: “A decisão foi tomada para garantir a segurança dos animais envolvidos no evento, além de permitir que as equipes municipais concentrem esforços e estruturas nas ações de prevenção, monitoramento e preparação relacionadas ao alerta climático.”
Cerca de R$ 1,7 milhão que seria investido na feira poderá ser direcionado para ações prioritárias de prevenção e respostas relacionadas ao período de alerta climático. Segundo o prefeito Paulo Norberto Koerich (PL), “esse decreto permite planejamento, integração das equipes e ações preventivas em todas as regiões da cidade”.
Outra comemoração que movimentaria a região em 2026, mas foi suspensa, é a Festa da Colheita de Agrolândia (Fecol), cidade que fica a 195 quilômetros da capital, Florianópolis. Realizada há 35 anos, só na última edição a Fecol atraiu um público de cerca de 30 mil pessoas para o município, que tem cerca de 11 mil habitantes, de acordo com o Censo de 2022.
Em nota, a prefeitura afirma que “a decisão foi tomada com responsabilidade, pensando na proteção das famílias e na necessidade de concentrar esforços, equipes e recursos nas ações preventivas”.
A ação foi seguida por Rio do Oeste, que adiou a 27ª Festa Estadual da Polenta para o ano de 2027, mas ainda sem data definida. Famosa pela maior polenta do mundo, a festa é realizada a cada dois anos e atrai milhares de pessoas para a cidade.
O prefeito Bruno Pessati (PL), diz que sabe da importância que a Festa da Polenta tem para a cultura, tradição e economia do município, mas completa ao afirmar que “acima de tudo, a segurança e o bem-estar das famílias rioestenses devem ser prioridade”.
Em grande parte, a suspensão dos eventos foi uma resposta ao governo do Estado, que emitiu um decreto de emergência climática para toda Santa Catarina em 18 de maio. O decreto foi motivado pela previsão do “Super El Niño” a partir de junho de 2026. O fenômeno é responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que podem ficar cerca de 2°C graus mais quente quando comparada com a temperatura normal.
De acordo com a Secretaria de Defesa Civil de Santa Catarina, o fenômeno deve atingir principalmente as regiões Norte, Nordeste e Sul do Brasil, com efeitos diferentes para cada parte do País. Na região Sul, o volume de chuvas aumenta, tanto em frequência quanto em intensidade, por isso, trazem maior risco de eventos extremos, como inundações e deslizamentos. Já no Norte e Nordeste, o efeito é o contrário, as chuvas se tornam mais escassas, aumentando os períodos prolongados de seca.
Foi para lidar com os riscos de chuva que o governo de Santa Catarina emitiu o decreto que, entre os efeitos imediatos, prevê a convocação extraordinária do Comitê Estadual de Proteção e Defesa Civil, a intensificação do monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico, além do pré-posicionamento de equipes, equipamentos e recursos materiais em áreas historicamente vulneráveis.
Os municípios também foram fortalecidos com entrega de veículos 4×4, drones, computadores, tablets e televisores, permitindo respostas mais ágeis e integradas quando os eventos ocorrem.
O decreto também estabelece critérios objetivos para a implementação automática de situação de emergência nas áreas atingidas. Entre os chamados “gatilhos objetivos” estão índices elevados de chuva, como precipitação superior a 80 milímetros em 24 horas, desabrigamento de famílias, interrupção de serviços essenciais, deslizamentos e alertas de nível laranja ou vermelho emitidos pela Defesa Civil estadual.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) também abriu uma frente de trabalho para fiscalizar o repasse de recursos em caso de necessidade, o Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CME). Em reunião realizada na sexta-feira, 22, a Promotora de Justiça Raíza Alves Rezende destacou que o objetivo é orientar e recomendar aos municípios a adoção de medidas preventivas.
A Defesa Civil do Estado também orienta a população a limpar calhas, evitar o descarte de lixo em sarjetas e prestar a atenção aos sinais de alerta, como fendas no solo, muros estufados ou árvores muito inclinadas. Nesses casos, é recomendado entrar em contato com a secretaria pelo telefone 199.
Outras festas canceladas
Além das festas suspensas pela previsão do “Super El Niño”, Luiz Alves, outra cidade da região do Vale do Itajaí, também cancelou dois eventos que estavam previstos para 2026: a Festa Nacional da Cachaça e a Festa da Banana.
Nesse caso, o motivo é a necessidade de reforma do pavilhão da Fenaca, local onde os eventos seriam realizados. O espaço se encontra parcialmente destruído por causa de eventos climáticos recentes que atingiram o município, especialmente a enchente de novembro de 2025, além dos vendavais registrados neste ano.
A prefeitura já realizou o levantamento técnico e encaminhou o pedido de recursos ao governo do Estado para levantar mais de R$1 milhão, que são necessários para a reforma.
Foto: Prefeitura de Gaspar/Divulgação
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