Este tema que parafraseia a obra de Sêneca, visa fazer uma reflexão sobre a nossa existência, mas, sobretudo, na maneira que muitas das vezes a mesma é abreviada.
Quantas vezes acompanhamos mortes trágicas, que nos deixam reféns de muita emoção e dor? Lembram-se da tragédia de Brumadinho? Do incêndio no CT do Flamengo, acabando com a vida de jovens esperançosos e sonhadores? E uma das mais marcantes, a morte do nosso querido Ayrton Senna.
Esse abreviamento de vidas é o que me fez trazer para reflexão o artigo de hoje.
É tão brutal, tão avassalador. Como ficam as coisas depois desses acontecimentos? Ninguém se preparou. Ninguém esperava, sequer se cogitava. Chega a ser surreal. Mas a verdade nua e crua é que fica como fica. Sem remédio, sem solução, tudo revirado, com a dor pairando no ar. A incredulidade toma conta por um tempo em função da implacabilidade da maneira como a vida é ceifada nessas tragédias. Abrupta e peremptória.
Quando as pessoas são acometidas por doenças graves, a noticia dada pelo médico é terrível, mas não é mortal. Por mais grave que seja a pessoa ouve, vê e analisa. Está viva. Não importa o que as estatísticas mostram com relação àquela doença. Esta viva. Existe esperança. A medicina avança nos tratamentos, novos remédios, pesquisas não param. Há esperança. Existe muita fé. Um milagre, porque não? Tantas histórias já ouvidas de bençãos alcançadas por outros. Porque não?
A doença avança, as pessoas sofrem, famílias participam, amigos se solidarizam, mas há esperança.
Se persiste a evolução inexorável da doença, todos se preparam para o desenlace fatal. Dá tempo. Às vezes até clamamos pela passagem da pessoa, pois sua vida se foi, contemplamos apenas um corpo sobrevivendo. Nos preparamos. Chamamos o padre, dá-se extrema unção, morre em paz.
O ponto crucial desta discussão é sobre a “surpresa da morte”. A tragédia, o não preparo para ela. Num segundo é e já no outro não é mais. Num segundo está e já no outro segundo não está mais.
O rompimento da barragem, o incêndio, a queda do helicóptero, o infarto agudo, a queda de um raio, o tiro fatal, etc…etc…etc. Não da tempo, ninguém se prepara, ninguém esperava, como fica?
A vida não para, os compromissos não esperam, Seja como for, de qualquer jeito, tem que ir…
E os sonhos, planos, promessas? Pra que? Morrem junto. Ou vive-se o hoje com todas as possibilidades que a vida nos oferece, ou, simplesmente reza-se pelo amanhã e pelo amanhã…. para que a barragem não rompa, para que o incêndio não devore, para que o coração não pare de repente…
Então, o segredo para compensar a possivel brevidade da vida é,simplesmente, vivê-la. Não deixando nada para traz . Nenhum gesto,nenhuma palavra , nenhuma viajem adiada por falta de tempo ,nenhum sonho protelado…
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