Pular para o conteúdo
ana

Seu negócio dá match com você?

match

Grande parte das micro empresas nascem simplesmente da necessidade do empreendedor em pagar as suas contas. Com isso, percebem uma oportunidade no mercado, sabem que determinado produto ou serviço tem demanda e decidem empreender. Até aqui, nada de errado. Afinal, uma empresa precisa gerar resultado e para a maioria das pessoas, empreender é antes de tudo uma alternativa para ter uma fonte de renda. O problema começa quando esse negócio não tem identificação com a vida nem com os valores do empreendedor que o criou.

No início, a oportunidade parece interessante. A pessoa enxerga um mercado, calcula que pode ganhar dinheiro e começa a trabalhar. Só que administrar uma empresa exige muito mais do que executar e vender. É preciso conhecer o mercado, acompanhar concorrentes, entender o comportamento dos clientes, buscar informações, tomar decisões e lidar diariamente com problemas daquele segmento. Quando o empresário não tem nenhum interesse pelo universo em que está inserido, estas atividades diárias se transformam em um peso.

É por isso que, antes de escolher um negócio, existe uma pergunta que considero muito importante: este segmento combina minimamente com a minha vida? Não estou falando necessariamente de paixão, propósito ou de transformar um hobby em profissão. Estou falando de compatibilidade. De conseguir imaginar aquela atividade fazendo parte da sua rotina durante anos sem que você sinta que está vivendo uma vida completamente desconectada daquilo que acredita, gosta ou valoriza.

Uma pessoa pode, por exemplo, identificar uma oportunidade em determinado mercado e perceber que existe dinheiro ali. Mas, se ela não gosta daquele segmento, não tem interesse pelos assuntos relacionados à atividade e não se identifica com o público que pretende atender, provavelmente terá pouca disposição para estudar e se aperfeiçoar. Com o tempo, isso pode aparecer na gestão, no atendimento, na inovação e até na capacidade de enxergar novas oportunidades para o próprio negócio evoluir.

O empresário precisa entender que a empresa vai ocupar uma parcela bem grande da sua vida. Ela estará presente nas suas decisões, na sua agenda, nas conversas da família e, muitas vezes, até nos momentos de descanso. Por isso, escolher um negócio olhando apenas para a oportunidade financeira pode ser perigoso e imaturo. O retorno financeiro é importante, mas a sustentabilidade do negócio também depende da capacidade do proprietário de permanecer interessado, aprender e evoluir dentro daquele mercado.

Eu não romantizo o trabalho e a palavrinha “propósito” que tanto tem se falado na internet, perdeu muito do seu contexto Trabalhar apenas com o que se ama, pode sim, ser insuficiente. Existem momentos da vida em que a prioridade é pagar as contas ou atravessar uma fase financeira difícil. A questão é reconhecer quando aquilo que começou como uma solução temporária está se transformando em uma vida inteira de insatisfação profissional, que pode inclusive respingar a mesma insatisfação para outras áreas da vida.

O Marketing também começa a partir dessa compreensão. Para posicionar uma empresa, é preciso saber quem ela é, o que oferece, para quem oferece e quais valores pretende transmitir. E existe uma coerência importante entre a identidade do negócio e a pessoa que está à frente dele. Quando essa relação existe fica mais fácil construir uma marca com personalidade.

A pergunta que fica é “Eu consigo me imaginar vivendo a rotina desse negócio por muito tempo?” Porque uma oportunidade de mercado pode gerar uma renda, mas um negócio que possui alguma compatibilidade com a sua vida tem muito mais chances de se transformar em um projeto sustentável. Empreender também é escolher como parte da sua vida será ocupada. E essa escolha merece um pouco mais de reflexão do que apenas descobrir onde existe uma oportunidade para ganhar dinheiro e pagar as contas.

Leia outras colunas da Ana Claudia aqui.