Vinhedos em Antônio Prado
Depois que a seleção brasileira foi eliminada, a Copa do Mundo de Futebol meio que perdeu a graça. Pelo menos esse era o meu sentimento. Estava com um pouco de inveja, é a verdade. Como o futebol brasileiro decaiu tanto nos últimos anos? Um jogador português, em entrevista para a @CazeTV, disse que não entendia o porque do nosso futebol estava querendo copiar o estilo retranqueiro do futebol europeu, ao invés de jogar aquele futebol arte que encantou o mundo.
É uma pergunta que não quer calar entre os torcedores brasileiros. Creio que depois do 7 a 1 de 2014, ninguém mais tem medo do futebol brasileiro! Alguns jogadores são os piores exemplos de pessoa e cidadão, sem citar nomes ou apontar o dedo para um ou outro. O jeito foi esquecer a Copa, assistir um a outro jogo só para não dizer que não viu, e tratar de tomar uns vinhos.
Passei uns dias na Serra Gaúcha, entre Canela e Gramado, descansando um pouco e tomando vinhos com amigos. Tratei de tomar apenas os vinhos gaúchos. Fiz questão de tomar só vinho nacional. A primeira coisa que prestei a atenção era a quantidade de rótulos disponíveis, tanto nos cardápios dos restaurantes, quanto em lojas especializadas. Era muito opção diferente. A segunda coisa que me chamou a atenção foi o preço dos vinhos. Vinhos que começam abaixo de 50 reais, chegando aos mil e dois mil e tantos por uma garrafa. O mais caro que eu experimentei foi um vinho que ganhou uma medalha de ouro recentemente e estava sendo vendido por 990 reais.


Mas a melhor supresa desta viagem e dos vinhos desta região da Serra Gaúcha foi conhecer o Flávio Abel da Adega Cavicchioni. Um empresário que tem e a melhor loja de vinhos da região, que produz um excelente vinho em parceria com uma vinícola, e que é apaixonado por tênis, tanto que criou uma linha de três vinhos especialmente para os seus amigos tenistas ao redor do Brasil.

Comprei o vinho Settimana in Cantina Safra 2022 da Vinícola Zanella. Um vinho 100% Merlot, com 14,5% de teor alcoólico, e com toda a fermentação feita em barricas de carvalho francês e americano por 18 meses. Os vinhedos ficam em Antônio Prado à 850 metros de altitude, um terroir que é considerado jovem.

Na taça este vinho tem uma cor bastante intensa, um rubi para um negro muito bonito. Um vinho cremoso. Na taça aconteceu uma explosão de aromas, foi do café ao caramelo, das frutas negras como ameixa às frutas vermelhas como a cereja. E na boca os taninos eram intensos, com a tosta por conta das barricas de carvalho. Uma das melhores partes da degustação foi bater um longo papo com o Flávio, um apaixonado pelo vinho e pelo tênis, uma figura rara. Vinho acima do 500 reais a garrafa, mas o Flávio dá desconto. Vale o investimento. Foi a melhor surpresa da Serra Gaúcha.


