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KARLA KUSTER CABECA hojesc

Ser estoico no caos do trabalho (e da vida): você aguenta o tranco sem surtar?

estoico

Quantas vezes essa semana você já perdeu a linha com algo que, no fundo, não dependia nem um pouco de você? O e-mail que não veio, o prazo que mudou do nada, o colega que jogou a responsabilidade no seu colo, a notícia bombástica no grupo do Whatsapp. Tudo isso tem poder de nos derrubar. Mas e se a solução para não virar refém do caos estivesse numa filosofia de mais de 2 mil anos que funciona perfeitamente no nosso 2026?

O estoicismo nasceu na Grécia Antiga, por volta de 300 a.C., quando Zenão de Cítio começou a dar aula no famoso Pórtico Pintado (Stoa Poikile) de Atenas. Por isso o nome “estoicismo”. A filosofia pegou, atravessou o Império Romano e chegou até nós porque entrega o que promete: ferramentas reais para não surtar com o que a vida joga na nossa cara.

Ser estoico não é engolir o choro, virar robô sem emoção ou fingir que nada te afeta. É bem mais esperto (e mais difícil): separar com faca e garfo o que está no seu controle do que não está.

No seu domínio? Suas opiniões, suas escolhas, suas ações, o jeito que você responde. Fora do seu alcance? O trânsito que engarrafou, a resposta ríspida do chefe, o cliente que evaporou, a crise que ninguém avisou, o que os outros pensam de você. Insistir em controlar o incontrolável é receita garantida de ansiedade, raiva e sofrimento extra.

A sacada genial é simples: “Não são as coisas que nos perturbam, mas a nossa opinião sobre elas.” Muda a lente, muda o jogo.

No dia a dia agitado, ser estoico se traduz em coisas bem práticas:

• Receber um feedback que dói e, em vez de explodir ou se afundar na autocrítica, perguntar friamente: “O que aqui é verdade? O que eu posso melhorar?”

• Perder uma venda importante e pensar: “Fiz o meu melhor com as cartas que tinha. Próxima jogada.”

• Encarar prazo apertado, reunião tensa ou notícia pesada e ainda assim manter o volante na mão, sem deixar a emoção pisar no acelerador.

Os quatro pilares são práticos demais:

• Sabedoria: ver as coisas como elas são, sem enfeite

• Coragem: agir mesmo quando dá medo ou desconforto

• Justiça: tratar todo mundo com respeito, sem mimimi

• Temperança: não se deixar levar por impulsos, desejos ou birras

O prêmio final? Aquela paz que não depende do sol brilhando lá fora. É possível sentir raiva, tristeza, frustração… e ainda responder com clareza, em vez de reagir como adolescente em crise.

Então, experimente por uma semana: toda vez que sentir a irritação subindo, pare e pergunte: “Isso depende de mim?” Se não, respire fundo e solte. Se sim, aja com coragem e clareza.

Não é fácil. Mas é libertador.

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