
Quero começar nossa conversa com uma pergunta.
Quantas vezes você mudou de ideia por causa de algo novo que aprendeu?
Não estou perguntando quantos livros você leu, quantos cursos fez, quantas palestras assistiu ou quantas ferramentas de inteligência artificial aprendeu a utilizar. Estou perguntando quantas vezes um novo conhecimento foi capaz de fazer você olhar para algo em que acreditava e pensar:
Talvez eu estivesse errado.
Parece simples. Mas não é.
Vivemos provavelmente o período de maior acesso ao conhecimento da história. Temos informação disponível o tempo todo. Podemos aprender praticamente qualquer coisa, de qualquer lugar, em poucos minutos. E a inteligência artificial acelerou esse processo de uma maneira impressionante. Hoje você pode fazer uma pergunta e receber uma resposta em segundos. Pode aprender um conceito, analisar um mercado, conhecer uma metodologia, encontrar referências, comparar estratégias.
Nunca tivemos tanto conhecimento disponível. Mas existe uma diferença enorme entre ter acesso ao conhecimento e permitir que ele nos transforme.
E é justamente nessa diferença que, para mim, começa uma conversa muito importante sobre inovação.
Aprender não é acumular. Talvez você conheça alguém que faz cursos o tempo inteiro.
Ou talvez essa pessoa seja você. Aprende uma nova metodologia, descobre uma nova ferramenta, salva dezenas de conteúdos, assiste a vídeos, lê artigos, participa de eventos…Mas continua tomando as mesmas decisões.
Liderando da mesma forma, resolvendo problemas com a mesma lógica e continua defendendo as mesmas certezas.
Então eu te pergunto: houve realmente aprendizado?
Porque aprender não deveria significar apenas colocar uma informação nova dentro da nossa cabeça. Aprender deveria ser permitir que uma informação nova confronte aquilo que já estava lá.
Existe um tipo de conhecimento muito confortável. É aquele que confirma aquilo em que já acreditamos. Nós gostamos dele.
Quando encontramos um artigo que concorda conosco, compartilhamos.
Quando alguém reforça nossa opinião, sentimos segurança.
Quando uma nova informação valida nossas escolhas, rapidamente a incorporamos.
O desafio começa quando o conhecimento nos contradiz. Quando uma informação nova coloca uma dúvida sobre uma decisão antiga. Quando alguém apresenta uma perspectiva que não combina com a nossa.
É nesse momento que descobrimos se realmente estamos dispostos a aprender.
Porque aprender exige mais do que curiosidade. Exige flexibilidade.
Talvez essa seja uma das perguntas mais difíceis para qualquer profissional experiente.
E se você estiver errado? E se aquele processo que você defende há anos já não fizer mais sentido? E se a estratégia que trouxe excelentes resultados no passado não for capaz de responder ao futuro? E se alguém com menos experiência estiver enxergando algo que você ainda não percebeu?
Essas perguntas incomodam. Mas inovação também incomoda!!
Porque inovar significa, em algum momento, abandonar uma certeza.
Quanto mais experiência acumulamos, mais repertório desenvolvemos.
Isso é extremamente valioso, mas existe outro lado dessa história.
A experiência também cria padrões. Começamos a olhar situações novas e rapidamente associá-las ao que já conhecemos.
• Eu já vi isso.
• Já tentamos.
• Isso não funciona.
• Nosso cliente não quer isso.
Talvez você já tenha ouvido alguma dessas frases.Talvez já tenha dito alguma delas.
Eu também.
O problema não está em utilizar nossa experiência. Está em permitir que ela determine a resposta antes mesmo de terminarmos de fazer a pergunta.
É assim que surgem os pontos cegos.
Tenho defendido uma ideia que considero cada vez mais importante: a inovação começa na consciência antes da tecnologia. Porque podemos colocar a melhor inteligência artificial dentro de uma organização, mas, se as pessoas continuarem pensando exatamente da mesma maneira, teremos apenas uma empresa antiga utilizando ferramentas novas.
Agora volto à primeira pergunta: Quantas vezes você mudou de ideia por causa de algo novo que aprendeu?
Pense nisso com calma. Talvez exista uma ideia que você esteja defendendo há tempo demais.
• Um processo.
• Uma estratégia.
• Uma forma de liderar.
• Uma certeza sobre seu cliente.
• Ou até mesmo uma certeza sobre você.
Não estou sugerindo que você abandone suas convicções a cada nova informação.
Estou propondo algo muito mais importante: não transforme suas convicções em lugares onde novas ideias não conseguem entrar.
Porque o futuro exigirá de nós uma enorme capacidade de aprender.
Mas exigirá algo ainda mais difícil: a coragem de permitir que aquilo que aprendemos nos transforme. E talvez essa seja uma das formas mais profundas de inovação.
Não criar algo novo lá fora. Mas permitir que uma nova consciência transforme aquilo que existe aqui dentro.
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