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MARCUS VIDAL CABECA hojesc

Saxon e o poder do heavy metal inglês

Formado em Barnsley, Inglaterra, no ano de 1975, o Saxon foi um dos líderes da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), a nova onda do heavy metal britânico, surgida no final dos anos 70 e início dos anos 80. Seu 22º álbum, Thunderbolt, foi lançado em 2 de fevereiro de 2018, consolidando a trajetória fantástica da banda. Com Biff Byford nos vocais, Paul Quinn e Doug Sacarratt nas guitarras, Nibbs Carter no baixo e Nigel Glocker na bateria, criaram um álbum sólido, pesado e visceral. A produção é de Andy Sneap e a capa do álbum é simplesmente espetacular.

saxon thunderbolt

Olympus Rising funciona como uma introdução cerimonial e estratégica para o álbum. A faixa começa com uma atmosfera épica, sustentada por teclados e efeitos sonoros que evocam grandiosidade mitológica, criando expectativa antes da entrada da banda.

Thunderbolt, a faixa-título, tem impacto imediato. Um riff rápido e cortante estabelece o clima, acompanhado por uma bateria acelerada e precisa. O baixo segue colado à guitarra, criando um bloco sonoro compacto. Biff Byford canta com autoridade, usando sua voz como elemento rítmico. A canção funciona como declaração de intenções: velocidade, peso e metal direto ao ponto.

 

 

Em The Secret Of Flight o andamento diminui ligeiramente, dando espaço a um groove mais cadenciado. O riff principal é construído em camadas, alternando tensão e liberação. O refrão é melódico e expansivo, contrastando com versos mais contidos.

Nosferatu (The Vampires Waltz) é uma das composições mais ambiciosas do álbum. A canção se desenvolve em múltiplas seções, com mudanças de dinâmica e atmosfera. Os riffs são dramáticos, quase cinematográficos, e os arranjos evocam imagens góticas. A bateria trabalha com variações sutis de andamento, enquanto a voz de Biff assume um tom narrativo.

They Played Rock And Roll é uma homenagem direta à história do gênero e à banda Motörhead. O riff é clássico, quase celebratório, com estrutura simples e eficaz. O refrão é feito para ser cantado em coro. É um momento de descontração sem perda de energia.

 

 

Predator retorna à agressividade. O riff é denso e repetitivo, criando uma sensação de ameaça constante. A bateria marca com força, e o vocal é mais ríspido. A letra fala de perseguição e sobrevivência, refletida na tensão musical.

Sons Of Odin é uma faixa épica, de andamento médio, que aposta em peso e atmosfera. O riff principal é robusto, quase ritualístico. Os refrões são largos e imponentes.

Direta e objetiva, Sniper trabalha com precisão rítmica. O riff é seco, com pausas estratégicas que aumentam a sensação de ataque súbito. A bateria acompanha com exatidão quase mecânica, e o vocal mantém tensão constante.

 

 

A Wizard’s Tale flerta com narrativa fantástica. A introdução cria clima misterioso, antes de entrar num groove pesado e cadenciado. A canção se desenvolve com variações sutis de intensidade, reforçando o caráter épico da história.

Speed Merchants é uma das faixas mais rápidas do álbum. O riff é acelerado, a bateria quase galopa, e o baixo segue firme, sustentando a velocidade. O vocal é insano, sem perder clareza. É heavy metal clássico em alta rotação.
Encerrando o álbum, Roadie’s Song, é mais descontraída e afetiva. Musicalmente simples, valoriza melodia e ritmo constante. A letra presta homenagem aos bastidores da estrada e o espírito de equipe.

Thunderbolt prova que o Saxon continua relevante décadas após sua estreia. Tecnicamente sólido, energético e bem produzido, o álbum evita tanto o saudosismo quanto a tentativa forçada de modernização. É heavy metal direto, orgulhoso de suas raízes, mas executado com vitalidade contemporânea, um exemplo de longevidade bem-sucedida no rock’n’roll. O bom e velho rock’n’roll.

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