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As projeções da Climatempo indicam que o El Niño deve se formar oficialmente em junho e há uma alta probabilidade de o fenômeno atingir intensidade de forte a muito forte, o que pode trazer impactos ao Brasil.
De acordo com a empresa de meteorologia, os mapas mostram a projeção do aquecimento da porção central e leste do Pacífico Equatorial até setembro de 2026. “A média da temperatura da água do mar nesta região é a referência do monitoramento do El Niño. Quanto mais forte o tom de vermelho, mais quente. O vermelho escuro indica que a temperatura na superfície da água do mar pode ficar mais de 2°C acima da média normal“, destaca Josélia Pegorim, da Climatempo.
Segundo ela, a projeção atual é de que até setembro deste ano, esse aquecimento intenso poderá ocorrer numa grande área, desde a costa do Peru até o meio do Pacífico Equatorial, sinalizando que o El Niño poderá ser muito forte. “Mas esta projeção ainda pode ter mudanças nos próximos meses”, estima.
O que é o El Niño?
Segundo a Climatempo, o El Niño é um aquecimento acima do normal da água do oceano Pacífico Equatorial, entre a costa do Peru até mais ou menos a região central deste oceano.
“Esse calor não fica só no mar. Vai para atmosfera também. E então, à medida que o calor vai sendo transportado para atmosfera, por meses e meses seguidos, os ventos e a pressão atmosférica ficam com um padrão diferente do normal, em várias partes do planeta. E isso muda a forma e a quantidade de chuva e a temperatura do ar”, afirma Josélia, da Climatempo.
No Brasil, o El Niño costuma trazer mais chuva para a região Sul e maior risco de seca na Amazônia, no Norte, e áreas do Nordeste. “Outra efeito é que o risco de onda de calor aumenta, especialmente na primavera.”
El Niño 2026 poderá ser forte a muito forte?
Conforme o gráfico acima, o vermelho escuro representa a previsão de um El Niño muito forte, com a anomalia da temperatura da água na região central do Pacífico Equatorial ficando igual ou superior a 2°C. “O vermelho médio é um El Niño forte e o vermelho claro é um El Niño moderado, com média de temperatura da água do mar entre 1°C e 1,5°C”, destaca a Climatempo.
Conforme a previsão, a expectativa de um El Niño moderado diminui até o fim deste ano e de El Niño forte cresce até setembro, no começo da primavera deste ano. “Mas a probabilidade de um El Niño muito forte só aumenta”, afirma.
Essa tendência tem se mantido nos últimos três meses. “É preciso considerar que o El Niño que vem por aí será forte a muito forte. No entanto, não podemos dizer, neste momento, quais áreas serão mais atingidas por fenômenos como seca, incêndios e enchentes. Este tipo de previsão é de médio de curto prazo”, pontua a empresa de meteorologia.
De acordo com a Climatempo, não há dúvidas de que o clima no Brasil e no planeta será influenciado por um El Niño de forte intensidade no segundo semestre de 2026. “Um El Niño forte já aumenta muito o risco de termos tempestades mais frequentes no Sul do Brasil já ao longo do inverno, mas especialmente durante a primavera de 2026. E aumenta também o risco de termos um maior número de dias muito quentes na primavera e no verão, na maior parte do Brasil”, estima a Climatempo.
Ainda segundo a empresa de meteorologia, os impactos da redução da chuva no Norte e no Nordeste devem ser percebidos no próximo verão, pois a primavera é uma estação naturalmente de pouca chuva nestas regiões.
O que ainda está incerto?
Segundo a Climatempo, se o aquecimento na região do Pacífico Equatorial chegará mesmo a um patamar de super El Niño, de El Niño extremo ainda é algo incerto.
“É muito provável que o El Niño 2026 seja forte, mas ainda não se pode afirmar que será um super El Niño”, diz a empresa de meteorologia.
Outra preocupação em escala global é o aquecimento anômalo registrado nos demais oceanos do planeta. “Este excesso de energia oceânica, além do aquecimento associado ao El Niño, potencializa eventos meteorológicos extremos em muitas regiões do planeta no decorrer do ano de 2026″, pontua a Climatempo.
Imagem: Gerada por IA
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