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Na Região Sul, o PL do presidenciável Flávio Bolsonaro deve eleger governadores no Paraná e no Rio Grande do Sul e reeleger o de Santa Catarina, dessa vez com chance de encerrar a disputa no 1º turno, indica levantamento do Estadão a partir das últimas pesquisas eleitorais. O domínio do senador encurta o espaço para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscar votos para si e para apoiadores nos três Estados.
O petista deve conseguir levar aliados ao 2º turno em até dois Estados, mas as chances de vitória são menores em relação aos nomes encampados por Flávio. Se as eleições para governador na Região Sul fossem um jogo de futebol, o herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) marcaria três gols contra o candidato à reeleição. Lula, por sua vez, não balançaria as redes.
Ao contrário do PL, o PT não lançou candidatos próprios a governador na Região Sul, com eleitorado de perfil conservador e à direita. A sigla tem apenas o ex-deputado estadual Edegar Pretto como candidato a vice na chapa governista que concorre no Rio Grande do Sul.
O Estadão compilou levantamentos da Quaest de cada Estado, com questionários nas casas dos eleitores, com projeções divulgadas em 24 de setembro. No caso do Rio Grande do Sul, a reportagem também considerou uma pesquisa on-line da AtlasIntel publicada um dia antes. As margens de erro são de três e dois pontos percentuais, respectivamente, com nível de confiança de 95%.
Paraná
De um dos protagonistas da Operação Lava Jato a bolsonarista de carteirinha, do ostracismo político à liderança nas pesquisas eleitorais: esse é o senador Sergio Moro (PL), que tem 36% das intenções de voto no 1º turno para governar o Paraná, de acordo com a Quaest.
O candidato a governador voltou a se aproximar do clã Bolsonaro e até ganhou o apoio de Flávio na disputa, cena que parecia improvável quando rompeu com o ex-presidente e se demitiu do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, em abril de 2020. Hoje, Moro reforça o palanque do presidenciável no Paraná e ambos aparecem juntos em campanha:
“Se o presidente Jair Bolsonaro pudesse estar na rua fazendo campanha, estaria em cima do trilho pedindo voto para Sergio Moro governador”, afirmou Flávio em vídeo publicado nas redes sociais na reta final de campanha.
Atrás de Moro nas pesquisas, o deputado estadual Requião Filho (PDT) herda o espólio político do pai, o ex-senador e postulante a deputado federal Roberto Requião (PDT), e tenta repetir o feito dele, que governou o Paraná por dois mandatos. O candidato ao comando do Palácio Iguaçu já classificou a Lava Jato como uma “grande fraude política” numa contraposição a Moro.
Requião Filho integra o palanque de Lula no Paraná, onde ambos fizeram um comício em 12 de setembro. O registro nas redes sociais — nas quais prioriza usar o azul do PDT em vez do vermelho do PT — foi sucinto:
O candidato a governador já disse também que não se furta de criticar o presidente. “Eu sou crítico ao governo petista, mesmo tendo apoio do PT. Inclusive, é algo que marca muito tanto a minha trajetória quanto a trajetória do meu pai, que a gente não passa pano para ninguém. Se a gente discorda, a gente fala por que a gente discorda”, disse Requião Filho, antes filiado ao PT, em sabatina na CNN em 2 de setembro.
A sondagem o projeta com 20%, numericamente empatado com o deputado federal Sandro Alex (PSD), embolando a disputa pela vaga restante para o 2º turno. O candidato já declarou apoio ao correligionário Ronaldo Caiado na corrida ao Palácio do Planalto, mas admitiu ficar ao lado de Flávio se a eleição presidencial não terminar neste domingo, 4.
No 2º turno, a pesquisa indica que Moro venceria os dois adversários. Os altos índices de votos nulos e em branco, além de eleitores indecisos, chamam a atenção em diferentes cenários.
Rio Grande do Sul
A disputa pelo Palácio Piratini tem apenas dois nomes competitivos. De um lado, os votos bolsonaristas catapultaram o deputado federal Luciano Zucco (PL) para liderar as sondagens de intenção de voto no 1º turno para o governo, com a bênção de Jair e de Flávio. Do outro, a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) representa o legado do avô, o ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola, além de ser nome de Lula no Estado.
No levantamento da Quaest, Zucco tem 29% contra 23% de Juliana — também há 25% de eleitores indecisos ou que não responderam e 8% de votos nulos ou em branco, valores que podem influenciar o resultado final. Já a AtlasIntel os projeta com 41,6% e 36,1% respectivamente, e os demais índices somam apenas 7,9%.
O candidato do PL vence a pedetista em um provável 2º turno. A Quaest indica 40% contra 34%, ao passo em que a AtlasIntel prevê uma margem maior para Zucco: 49,7% a 39,3%.
Santa Catarina
Apoiador de Bolsonaro, o governador Jorginho Mello (PL) deve se reeleger no 1º turno para governador de Santa Catarina, uma vez que tem 54% das intenções de voto em levantamento da Quaest. O nome consolidado do ex-senador firma um palanque sólido para Flávio.
Na corrida ao governo estadual, o ex-deputado federal João Rodrigues (PSD) e o ex-deputado estadual Gelson Merísio (PSB) estão tecnicamente empatados. Ambos marcam 13% e 10% das intenções de voto, dentro da margem de erro de 3 p.p.
Rodrigues é mais um dos candidatos a governador pelo PSD a trair Caiado e apoiar Flávio, para quem chegou a pedir votos, ampliando o espaço do bolsonarista no Estado. Merísio, por sua vez, faz campanha com Lula nas ruas e nas redes sociais.
Apesar da vantagem de Jorginho, a Quaest traçou dois cenários para um eventual 2º turno. O governador ganharia de Rodrigues e de Merísio com larga vantagem.
Imagem: gerada por IA
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