Se no universo do filme Minority Report a tecnologia antecipava crimes antes que eles acontecessem, uma rede de franquias catarinense quer transformar esse conceito em realidade no Brasil. Com sede em Joinville, a Camerite aposta no uso de Inteligência Artificial para prever comportamentos suspeitos e agir antes que o crime se concretize — reposicionando o papel da segurança eletrônica no país.
À frente desse movimento, o CEO Vinicius Romano lidera uma reestruturação profunda que reposiciona a empresa não apenas como uma rede de monitoramento, mas como uma plataforma de inteligência baseada em imagens. A proposta é clara: sair do modelo reativo e avançar para uma atuação preditiva, em que dados captados por câmeras são analisados em tempo real para antecipar riscos.
A nova estratégia já traz resultados concretos. A rede catarinense projeta ultrapassar 170 unidades nos próximos meses. Atualmente com 120 franquias ativas, a meta é abrir mais de 50 novas operações ainda este ano, ampliando a presença nacional com um modelo que combina capilaridade local e inteligência centralizada.
Inteligência para prever, não apenas registrar
Desde que assumiu o comando, Romano direcionou investimentos para áreas estratégicas como Produto & Tecnologia, Marketing, Comercial, Serviços e Governo. O foco está no desenvolvimento de soluções capazes de transformar imagens em dados acionáveis — base para a construção de uma segurança preditiva.
“Hoje, grande parte das imagens captadas ainda é subutilizada. Nosso objetivo é extrair inteligência desses dados para antecipar situações de risco e permitir respostas antes que o crime aconteça”, afirma o executivo.
Também houve reaproximação com entidades representativas, como a ABESE (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), além do fortalecimento de parcerias tecnológicas e projetos voltados ao setor público — considerado prioridade na expansão.
Da câmera passiva à prevenção ativa
A Camerite acelera o desenvolvimento de IA própria com recursos como leitura de placas, reconhecimento facial, detecção de pessoas e objetos e, principalmente, análise comportamental. É essa camada que permite identificar padrões fora do comum e gerar alertas preventivos.
Em uma aplicação recente, a tecnologia criou uma espécie de “cerca digital” ao redor de um estabelecimento comercial, identificando permanência prolongada e comportamentos atípicos. O sistema gerou um alerta antes de qualquer ação criminosa, permitindo uma intervenção preventiva.
Hoje, a plataforma está presente em mais de 500 municípios e integrada a mais de 50 projetos governamentais. Segundo a empresa, a atuação conjunta com autoridades já contribuiu para gerar cerca de R$30 milhões em prejuízo ao crime organizado, além de colaborar para a apreensão de mais de 10 toneladas de drogas.
Expansão, novos mercados e integração
A expansão da rede de franquias é outro pilar estratégico. O modelo facilita a atuação em licitações municipais e estaduais, garantindo presença local com padronização tecnológica — fator essencial para projetos de segurança pública baseados em dados.
Além disso, a empresa amplia sua atuação em novos mercados e fortalece integração com diferentes sistemas e fornecedores, enquanto desenvolve soluções adicionais, como detecção de quedas e monitoramento de aglomerações.
Com cerca de 300 mil usuários ativos e mais de 25 mil pontos de monitoramento, a Camerite opera com diferentes marcas de câmeras, permitindo a integração de equipamentos já existentes e ampliando a escalabilidade da solução.
Para Romano, o futuro da segurança está na capacidade de antecipação. “Mais do que registrar o que já aconteceu, queremos prever, organizar dados e apoiar decisões em tempo real. A segurança do futuro é aquela que evita o crime antes mesmo que ele aconteça”, concluiu.
Mais informações em https://camerite.com/
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