
Convocado para a seleção brasileira, Neymar Jr. sobrevoou a Granja Comary de helicóptero, na quinta-feira (28), comemorando o seu retorno. De longe, o voo do atacante do Santos parecia o da Fênix, a ave mitológica renascida das cinzas. De perto, era só o bater de asas inglório de uma galinha.
Na entrevista coletiva, o médico da seleção, Rodrigo Lasmar, foi taxativo. Em exame de ressonância magnética, o jogador apresentou não um edema, como se cogitava, mas uma lesão de grau 2 na panturrilha, com expectativa de retorno no prazo de duas a três semanas.
Isso significa que Neymar não joga os amistosos contra o Panamá, no domingo (31), e contra o Egito, no dia 6 de junho; não estreia na Copa contra a seleção de Marrocos, no dia 13; e, muito provavelmente, não será escalado para a partida diante do Haiti, no dia 19. Se estiver recuperado, fica no banco contra a Escócia, cinco dias depois.
Isso ou só nos 16 avos de final, a fase inventada pela Fifa para acomodar seleções do Oiapoque a Xangai — Curaçao, Cabo Verde, Uzbequistão, Bósnia e Nova Zelândia, este um país cujo futebol não está entre os esportes mais populares. Os neozelandeses preferem o rúgbi, o críquete e o Haka — uma dança tribal que causa constrangimento ao torcedor, ainda mais se considerados aqueles movimentos pélvicos de vai e vem.
Padre Quevedo
Dias antes do festerê da convocação, o italiano Carlo Ancelotti disse — com aquele sotaque de Padre Quevedo — que convocaria Neymar desde que ele estivesse 100% fisicamente. Mentira. Ele convocaria Neymar de qualquer jeito.
Não era só a pressão dos patrocinadores; era a pressão do novo contrato. Ancelotti fica até 2030 no comando da CBF, com salários que ultrapassam 1 milhão de dólares por mês. O italiano, famoso e respeitado por suas conquistas, doravante tem um nome a zerar.
Há duas semanas, o Santos tomou um passeio do Coritiba no Lulão — o estádio do Corinthians. Em situação normal, Neymar, rei do atestado médico, alegaria um mal-estar ou desconforto e se incluiria fora da partida que, aliás, ocorreu pela manhã, uma parte do dia que o jogador não habita.
Porém, a data da convocação estava próxima e Neymar precisava mostrar que ao menos claudicava em campo. Por acaso, ocorreu o imbróglio da papeleta. Neymar sentiu a panturrilha, a mesma que agora apresenta lesão grave, e foi tirado da partida.
Pinóquios
O quarto árbitro, encarregado de levantar a placa, atendeu ao pedido de César Sampaio, auxiliar do técnico Cuca, do Santos, e desprezou a troca indicada.
É do jogo, mas Neymar não queria ser substituído. Por isso fez o escândalo para as câmeras e mostrou estar em condições de jogo. Mentira.
O atacante santista mentiu ao mostrar a papeleta. César Sampaio e Cuca mentiram ao não revelar a alteração de última hora. O departamento médico do Santos mentiu ao diagnosticar um edema. O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, mentiu ao afirmar que o jogador estaria recuperado para o jogo contra o Panamá, no próximo domingo. Carlo Ancelotti mentiu ao afirmar que só convocaria Neymar caso ele estivesse 100% fisicamente.
O resultado é um espetáculo pinoquiano. Neymar não estará em campo na Copa do Mundo. Se estiver, será menos que uma sombra. João Pedro, o atacante cortado para dar lugar ao craque das multidões, também não estará em campo na Copa. Essa é a única verdade em toda essa história.
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