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GLENN STENGER CABECA hojesc

Quem achava que Neymar não iria não entende o jogo

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Futebol está longe de ser o que os torcedores acham que é. Neymar só não iria para a Copa do Mundo caso tivesse amputado uma perna. E, mesmo assim, ainda teria que provar publicamente que não mais a possui…

Deveria ser legal aquele tempo em que o “jogo de bola” era só um esporte praticado por dois times que eram escalados com os melhores jogadores de cada posição. Sendo bem sincero, depois de 5 décadas de vida, não tenho visto mais nenhuma equipe assim. Nem nos jogos de suburbana há escalação pura por mérito, sem interesse.
Neymar representa demais. Muita coisa gira em torno dele. Muitos interesses.

Não há (por incompetência do sistema de formação de jogadores no Brasil), nenhum outro atleta que tenha condições técnicas sequer similares às que Neymar já teve (leiam que escrevi “teve” e não “tem”).

Talvez seja esse o ponto principal do tema. Já repararam quantos jogadores “meia boca” entraram na convocação? Jogadores nota 6,5 ou 7 no máximo. Jogadores que, em épocas nem tão longínquas, sequer seriam cogitados? A boiada passou. E a CBF conseguiu dar a cortina de fumaça necessária para a convocação desses atletas sem ter, desde agora, ganhado o título de “pior seleção brasileira de todos os tempos em uma copa”. Isso seria ruim demais para ela, para os patrocinadores, para o business.

Copa é lugar de estrelas. Lugar de atletas destaque. No nosso universo atual de atletas brasileiros, fora Neymar (já não mais aquele de outrora), não há nenhum outro. Não havendo destaque, não há aquilo que mais é necessário nos dias atuais. Visibilidade, presença em redes sociais, citações, views. É isso que o mercado quer e precisa. Paga caro para ter isso.

Arrisco dizer que Neymar, sozinho, tem mais seguidores que todos os outros atletas convocados juntos. A imagem dele é mundial. Pesquisa rápida, em apenas uma rede social, mostra que Ibañez, Igor Thiago, Rayan e Bremer juntos, conseguem chegar em 1% do total de seguidores que Neymar possui. Isso em apenas uma rede social, repito. A desproporção é absurda.

O espetáculo é caro. Os atores são caros. O dinheiro que gira supera todo e qualquer evento no nosso planeta. Sejamos apenas razoáveis e não hipócritas. Quem paga a conta de tudo isso? A meta central, insubstituível e balizadora é a financeira. A meta importante, mas não a principal, é a esportiva.

Todos que aportam algo no torneio lá estão para obter resultado financeiro, direto ou indireto. TODOS! Se o resultado vier através da seleção da Zâmbia ao invés da seleção Brasileira, pouco importa. Se Neymar está ou não em suas melhores condições físicas e técnicas, pouco importa. Ele é o vetor que trouxe para si os holofotes. Desvinculou da CBF a imagem de fraqueza de seu selecionado. Trouxe consigo toda a visualização que a seleção não teria se ele não estivesse lá. Visualização que os patrocinadores tanto precisam e pagam para ter.

Esportivamente falando irá jogar, trará resultado? Incógnita pura. Futebol, no campo, não é matemático. Copa e campeonato são coisas diferentes. Copa se ganha no dia do jogo, campeonato se ganha na temporada toda, na regularidade. E se Neymar estiver inspirado e os outros jogadores “mais do mesmo” também estiverem em seus melhores dias?

Em poucos dias veremos os próximos capítulos…

Imagem: Gerada por IA

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