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Quebrando a cara

Quebrando a cara

barricas

O vinho é uma coisa dinâmica. Aprendi na pele que não dá para cravar uma opinião 100% exata. Não é possível dizer que este ou aquele vinho é melhor, já que muitas vezes a safra faz uma enorme diferença, principalmente agora com as mudanças climáticas.

Existem uvas que se adaptam mais numa região do que em outra. A uva Malbec, por exemplo, que parecia extinta na Europa, renasceu na Argentina e ganhou o mundo. Os vinhos argentinos foram ganhando prêmios e se tornando famosos por sua qualidade e intensidade. Nós brasileiros e também os americanos nos apaixonamos pelos Malbec argentinos, e não nos cansamos de tomar mais e mais garrafas dessa iguaria.

Os vinhos de Alejandro Virgil, que produz o El Enemigo e Gran Enemigo, e os da Viña Cobos, de Paul Hobbs, são os meus preferidos. Tem ainda os Carinae, Durigutti, San Pedro de Yacochuya, entre tantos. Tempos atrás falei que preferia os vinhos Malbec da Argentina em comparação aos Malbec da França, inclusive levo sempre para o meu genro francês os vinhos argentinos que ele aprendeu a tomar desde quando casou com minha filha.

 

Recentemente quebrei a cara ao tomar um Malbec francês simplesmente maravilhoso que ele me apresentou. Vinho foi o Notre Dame des Champs, que custa na França algo em torno de 25 euros, mas que infelizmente no Brasil a gente não encontra. O atual dono da vinícola é o Gérard Bertrand, um dos mais conhecidos e famosos produtores franceses. Ele comprou a propriedade em 2022, provavelmente depois que experimentou esse vinho (uma brincadeira da minha parte).

A propriedade, Domaine de Cause, fica na região Sudeste da França, em Cahors, e possui apenas 35 hectares, sendo que somente 20 hectares são dedicados aos vinhedos. É uma região conhecida por suas colinas, solo rico em ferro e calcário, garantindo um Malbec muito mais mineral que o seu irmão latino-americano. São vinhos de guarda. A safra que eu tomei era safra 2019, estava 7 anos em garrafa, e com certeza tinha potencial para muito mais.

Vinho estava primoroso desde quando sacamos a rolha. Na taça ele era bastante licoroso, com cores violetas e azuladas, aromas de chocolate e café, e na boca um final intenso, prolongado e com taninos super suaves, o mais diferente dos Malbecs que experimentei até hoje, e com certeza entrou para a minha lista de preferidos. Se algum amigo for para a França trate de pedir para ele garimpar alguma garrafa para você porque vale o investimento.

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