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GLENN STENGER CABECA hojesc

Que inveja boa do Super Bowl!

Nosso espaço aqui é para falar sobre dinheiro ligado ao esporte futebol!

Só que hoje não há como não fazer referência ao Super Bowl, a final do campeonato de Futebol Americano. O maior evento esportivo daquele país. Os números são, ano pós ano, mais surpreendentes. Os estadunidenses são muito competentes em tudo o que diz respeito ao esporte que eles mais gostam.

Antes dos números, faço uma pausa para falar sobre o show do intervalo. Em particular, não conhecia uma música sequer do artista. Show bem produzido, mas com caráter demasiadamente politizado, em meu ver.

Para um espetáculo que já teve, como protagonistas, Bruce Springsteen, U2, Prince, The Who e até lendas como Michael Jackson, Rolling Stones e Paul McCartney, achei desnecessária a presença do rapaz que, ao invés de cantar e encantar, usou o espaço para pregar suas teses.

Alguns podem dizer que ele é o líder de procura no Spotify e que isso justificaria sua presença. Lembro que, em terras nacionais, os líderes das paradas já foram (em outros tempos) É o Tchan, Caneta Azul, ET e Rodolfo.. Nos tempos atuais, ouve-se funk com apologia à crimes, drogas e sexo. Esse argumento, de liderança no Spotify, perde demais o sentido, cai por terra, quando faço essas analogias simples…

Deixemos isso de lado e vamos ao que nos traz aqui toda semana: os números! Esses sim dão a dimensão do quanto o evento esportivo é bem feito, valorizado, difundido e comercializado. E só falemos em dólares, esqueçamos por alguns minutos, nosso desvalorizado real.

6.200,00 foi o preço médio por um ingresso no jogo. O estádio em San Francisco, com naming right da marca de roupas Levis, tem capacidade para 68.500 pessoas. Só em ingressos, mais de 400 milhões de dólares entraram no caixa da NFL.

Estima-se que mais de 100.000 pessoas viajaram para San Francisco apenas para presenciar o clima, a vibe, a atmosfera do jogo. Não entraram no estádio, mas deixaram dinheiro na cidade.

Comerciais de 30s foram comercializados entre 8 e 10 milhões de dólares. Faltou (como falta todo ano) espaço na grade de programação para mais anunciantes. Dados do Sports Value estimam em 800 milhões o valor arrecadado pelos anúncios publicitários veiculados.

A Apple destinou cerca de 50 milhões para patrocinar apenas o show do intervalo.

Mais de 130 milhões de espectadores americanos, em diferentes plataformas, estavam ligados ao evento de maneira simultânea.

O governo da Califórnia estima em mais de 500 milhões o valor total que o jogo deixará no mercado local.

De acordo com a National Retail Federation, os americanos gastarão cerca de 20 bilhões de dólares em comidas, bebidas, roupas e todos os demais produtos relacionados ao Super Bowl, por todo o país. É como se cada americano gastasse ao menos 6 dólares em produtos com a temática.

Segundo a American Gaming Association, algo em torno de 1,8 bilhão foi apostado nas mais variadas modalidades e nos mais diversos itens apostáveis associados só a esse jogo. Para se ter ideia, apenas esse evento gerou quase que 30% de todo o volume de dinheiro apostado no Brasil em 2025 inteiro, levando em consideração todos os jogos e todas as casas de apostas legalizadas.

Esses são apenas alguns dos valores. Há mais dezenas de receitas que chegam de outras fontes.

Fruto de competência, de gestão, de valorização do produto. Quem fala mal dos americanos, no tocante à forma com que gerenciam seus negócios, é tolo, analfabeto funcional ou mal intencionado. Contra fatos e números não há argumentos.

Esses valores absurdos, em 2027, serão ainda maiores. Os times estarão mais bem estruturados, os jogadores mais bem pagos, os estádios oferecendo mais conforto, os patrocinadores mais felizes com seu retorno financeiro, a NFL (liga) mais fortalecida e o público consumidor mais satisfeito.

O futebol nosso de cada dia poderia ser parecido, poderia atingir dimensões até maiores. Mas nossa “latinidade”, nosso modo de agir, nossas formas de ver o mundo, não nos deixarão chegar nem perto. O potencial do produto é desperdiçado sem parar. Nos resta a “inveja boa” de ver como um “esporte meio esquisito para nós” pode dar tão certo enquanto patinamos em conceitos, preconceitos e ações (ou falta delas).

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