Cheiro de bolo em casa. Ela pediu aquele tão conhecido, que as amigas também adoram, especialidade da “tia”.
Há um prazer silencioso em prepará-lo. Os ingredientes seguem uma ordem que deve ser respeitada. Quase um ritual. Dois tipos de achocolatado em pó, um adocicado e um amargo, dão um sabor particular à receita que Maria nunca erra. As pás da batedeira quebram a quietude até que tudo se transforme numa textura lisa e homogênea.
A massa fica muito fofa e a cobertura, levemente crocante. Desmancha-se na boca e é quase impossível parar no primeiro pedaço. Na maioria das vezes, tem papel principal no lanche ou na sobremesa.
Com o tempo, entrou em cena a versão vegana daquela delícia. Agora são dois Bolos Malucos. O amor nunca foi um desafio e sim matéria-prima.
Volto ao pedido da minha filha, que está assando. Não posso me distrair: ele não deve passar do ponto. É quando a cozinha começa a se encher daquele aroma conhecido, acolhedor, que tem gostinho de afeto.
A calda quente se derrama, brilhante. Está pronto. Mal dá tempo de esfriar antes de ser inaugurado.
Foram doces os anos em que a casa estava cheia. A vida mudou, as meninas cresceram. Hoje, quando elas querem, eu ainda faço.
Às vezes o carinho vem do abraço. Às vezes, do forno. Sempre, do coração.
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