
As gafes cometidas por narradores e comentaristas esportivos durante os jogos de futebol são sempre um capítulo à parte. Sim, errar é humano, acertar é divino, blábláblá. E quando se trata de jornalismo ao vivo, a urgência e a instantaneidade são argumentos razoáveis para explicar a confusão e o trava-língua. Mas vá explicar isso para um internauta ansioso por um momento de comédia.
Fica a sugestão para a Fifa. Por que não instituir um prêmio de piada involuntária, baseado no engajamento dado aos cortes e memes de locutores esportivos apanhados nessas situações vexaminosas e constrangedoras?
“Lá vem o Fluminense com Chernobyl… a primeira grande subida do Chernobyl pela direita!”, narrou Galvão Bueno. Chernobyl é Cannobio, o atacante da seleção do Uruguai, eliminada ainda na primeira fase da Copa 2026.
Em Madri para a cobertura da final da Champions League, em 2013, José Trajano gravou boletim para a Rádio Eldorado anunciando que Schwarzenneger estava confirmado no Bayern de Munique. Ele se referia a Schweinsteiger, ídolo do time alemão e doravante apelidado de ‘volante do futuro’ na redação da emissora, para que Trajano não esquecesse da gafe.
Nem autorama
Narrador esportivo da Globo por duas décadas, Cléber Machado é o equivalente de Clóvis Bornay em bailes à fantasia: hors-concours. Convocado às pressas para narrar corridas da Fórmula 1, da qual não entende bulhufas, ele chamou Rubinho Barrichello de Luciano e Felipe Massa de Rubinho. No ápice, confundiu Minardi com Ferrari e comemorou a liderança de Barrichello quando o piloto havia apenas ultrapassado um retardatário. Depois disso, a Globo deixou Machado longe até do autorama.
No futebol, sua especialidade, passou o jogo todo entre Estados Unidos e País de Gales, na Copa de 2022, chamando o meio-campista americano Weston Mckennie de ‘Mackenzie’.
Mas ele já havia feito pior. Na Rússia, quatro anos antes, enfrentou o desafio de pronunciar corretamente o nome do jogador polonês Blaszczykowski. Os internautas que conseguiram sobreviver ao ataque de riso começaram a enviar mensagens, sugerindo que ele chamasse o atleta apenas pelo apelido: Kuba. Machado agradeceu a dica, porém lamentou que ela tivesse chegado tão tarde. Lá pelos 38 minutos do segundo tempo.
No Qatar, além de se enrolar com os nomes dos jogadores holandeses e chamar Jesus de Genésio no caso de Mckennie, deu pitaco na hora errada, afirmando que a Laranja Mecânica não estava jogando nada. Não deu um segundo: “Goooooooool”.
Fez mais. Na semifinal da Liga dos Campeões, o locutor ex-Globo bem que tentou se corrigir ao narrar um gol inexistente do Atlético de Madri. A emenda ficou pior do que o soneto. “Se movimentou Torres, chegou batendo ou driblando? Driblou, que golaço. Na trave!” Cléber Machado é um patrimônio.
Baixo calão
No rádio, o locutor Dirceu Marchiori, também chamado de Dirceu Maravilha porque ninguém da equipe, nem ele mesmo, sabe se seu sobrenome é pronunciado ‘chi’ ou ‘qui’, confundiu o nome do meia espanhol Frán Mérida, então no Athletico Paranaense, e acabou anunciando o jogador com um palavrão que soa muito parecido.
Os repórteres de campo bem que tentaram salvá-lo, mas era tarde demais. Dirceu já havia caído na boca do povo.
Caso parecido ocorreu em partida do Sport Recife. Na beira do gramado, o “latinha” avisou que o lateral-esquerdo da equipe Jajá Cordeiro iria entrar na partida.
O narrador trocou as bolas. “Já já, então, teremos a troca’, anunciou. E quando a substituição não veio, ficou na bronca. “Mas cadê o Cordeiro”? Era o Jajá, em campo há 15 minutos.
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