Existe um hábito tão incorporado à rotina que quase ninguém questiona: terminar o almoço e, poucos minutos depois, tomar aquele cafezinho. Para muita gente, ele funciona como um pequeno ritual, uma pausa prazerosa que marca o fim da refeição. O problema é que, dependendo da pessoa, da quantidade e da frequência, esse costume pode não ser a melhor escolha para o organismo. Não é preciso abandonar o café, o que merece atenção é o horário em que ele é consumido.
Isso acontece porque a cafeína e outros componentes do café podem interferir na absorção de nutrientes durante a digestão. O ferro é o mais afetado, especialmente o de origem vegetal, que já é absorvido pelo organismo com mais dificuldade. O café também pode reduzir, em menor intensidade, o aproveitamento de cálcio, zinco e magnésio. Por isso, tomar café junto ou logo após o almoço pode atrapalhar o melhor aproveitamento dos nutrientes da refeição, principalmente em pessoas que já apresentam deficiências nutricionais.
E existe outro detalhe importante: não é apenas essa interação que merece atenção. O café também pode provocar desconforto gastrointestinal em pessoas mais sensíveis. Por estimular a secreção gástrica e favorecer o refluxo em alguns indivíduos, pode aumentar sintomas como queimação, azia e desconforto. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas terminam o almoço e, logo depois do café, sentem que a digestão ficou desconfortável.
Por isso, aquele cafezinho imediatamente após a refeição pode ser um daqueles pequenos hábitos que vale a pena reorganizar. Não é necessário abrir mão dele, mas simplesmente mudar o momento. Uma boa estratégia é deixar o café para mais tarde, preferencialmente entre as refeições. Para quem apresenta ferritina baixa, anemia ou maior necessidade de ferro, essa distância ganha ainda mais importância, porque permite que os nutrientes da refeição sejam aproveitados sem a mesma interferência.
Uma maneira simples de favorecer ainda mais esse aproveitamento é prestar atenção às combinações do prato. Alimentos ricos em vitamina C, como laranja, acerola, kiwi e limão, favorecem a absorção do ferro. Assim, incluir uma fonte de vitamina C na refeição pode ser uma estratégia interessante.
Se a ideia for substituir o café por uma bebida quente durante ou após o almoço, também é preciso fazer uma escolha consciente. Nem todo chá é uma boa opção para acompanhar a refeição. Chá verde e chá preto, por exemplo, também são ricos em polifenóis e cafeína, podendo interferir na absorção de minerais. Por isso, se existe preocupação com a absorção de nutrientes, eles não são os mais indicados nesse momento.
Para quem gosta de uma bebida quente após comer, uma alternativa mais interessante pode ser uma infusão de gengibre ou erva-doce, especialmente para quem busca conforto digestivo. Ainda assim, quando existem grandes deficiências de nutrientes, a melhor escolha para acompanhar a refeição continua sendo a água, deixando cafés e chás para os intervalos entre as refeições.
No fim, não é preciso abrir mão do café, apenas escolher o momento certo. Deixar o cafezinho para outro horário é uma mudança simples que pode favorecer a digestão e o aproveitamento dos nutrientes, sem tirar da rotina um hábito tão prazeroso.


