Pular para o conteúdo
ANA CLAUDIA WIECHETECK CABECA hojesc

Prudência ou procrastinação?

Há momentos na vida do pequeno empresário que é ele tomado por uma paralisia involuntária. Planos de ação fracos, execução abaixo do esperado e consequentemente o resultado que não atinge as metas. Neste caso, a tendência é achar que este sentimento de estar travado é causado por falta de ideias ou até falta de inspiração para fazer algo diferente do que tem sido feito. Mas a realidade é que não travamos por falta de ideias, mas sim, pelo excesso delas. Inúmeros planos desenhados, projetos, possibilidades, caminhos alternativos, cursos realizados, informações, dados… O problema não é criatividade que está faltando. É decisão diante de tanta informação. E, principalmente, responsabilidade sobre a decisão tomada.

Existe uma falsa sensação de segurança em “pensar mais um pouco”, “analisar melhor”, “esperar o momento certo”. Esse comportamento costuma ser socialmente aceito como prudência, mas, na prática, muitas vezes é apenas medo de errar travestido de planejamento. Enquanto isso, o tempo passa, o mercado se move, as oportunidades esfriam e o negócio fica parado. A realidade é que esperar pelo momento perfeito é um dos maiores erros dos empresário, uma vez que este momento não existe.

Vejo isso com frequência: empresários que estudam, consomem conteúdo, fazem cursos, desenham estratégias impecáveis no papel, mas não avançam um centímetro no cumprimento destas ações. Os planos não saem do papel. Sabem qual é a sua função, mas não a executam. Ficam presos ao cenário ideal e ao plano perfeito esperando por uma “certeza absoluta” que nunca chega. E a empresa começa a adoecer não por uma decisão errada, mas pela ausência de qualquer execução.

Decidir envolve correr riscos. É importante você ter a certeza que empreender não é eliminar este risco do seu negócio, mas você precisa aprender a administrá-lo. Quando alguém evita decidir ou evita agir para não correr riscos, acaba caindo no pior resultado: a estagnação. Os negócios não morrem, na maioria das vezes, por um grande erro. Morrem lentamente através das pequenas indecisões diárias. Aquela procrastinação de hoje, que vira um hábito e que se transforma na sua ruína.

Há uma diferença clara entre planejamento responsável e procrastinação que paralisa. Planejar é organizar o caminho com base em critérios claros, metas, prazos, responsáveis e objetivos. Já procrastinar e paralisar é usar um “planejamento” como desculpa para não agir. Ação planejada não significa agir de forma inconsequente, mas agir com o melhor nível de clareza possível naquele momento, e fazer os ajustes necessários ao longo do percurso. Entender que os ajustes sempre serão necessários, por mais completo que esteja o seu planejamento, dá a coragem de começar a agir mesmo diante da insegurança.

A própria lógica da fé deixa isso evidente: acreditar mas não agir não produzirá frutos. Desta mesma forma, ter ideias mas não decidir e nem agir, também não. Negócios só prosperam quando o empresário assume a posição de analisar, decidir, agir, corrigir a rota e seguir em frente. Repetidas vezes.

Se você sente que sua empresa está travada, talvez o problema não seja falta de conhecimento, nem de recursos, nem de ideias novas. Talvez esteja faltando apenas uma coisa: a sua decisão de sair do lugar onde já ficou tempo demais e agir.

Leia outras colunas da Ana Claudia Wiecheteck aqui.