Pular para o conteúdo
'HAMPTONS' BRASILEIRO

Por que um trecho de Balneário Camboriú entrou no radar de investidores de longo prazo

praia do estaleiro balneario camboriu

Os Hamptons, faixa litorânea no extremo leste de Long Island, a cerca de duas horas de Nova York, nos Estados Unidos, viraram referência global em segunda moradia de alto padrão.

No quarto trimestre de 2025, o preço médio de venda no mercado residencial local foi de US$ 3,76 milhões; no segmento de luxo, que reúne os 10% imóveis mais caros negociados no período, os valores partem de US$ 7,375 milhões e o ticket médio chegou a US$ 14,9 milhões, conforme dados são do Elliman Report.

Interpraias

No Brasil, a Interpraias, em Balneário Camboriú (SC), começa a reproduzir a mesma mecânica imobiliária dos Hamptons. O que aproxima os dois mercados é a baixa densidade, natureza preservada, oferta limitada, regras rígidas de ocupação e forte apelo para segunda moradia. Segundo levantamento da J. Maurício, empresa especializada em transações na região há mais de 25 anos, o metro quadrado local acumulou valorização superior a 200% nos últimos cinco anos, e a projeção é de alta adicional de até 50% em dois anos; hoje, o ticket médio gira em torno de R$ 20 milhões.

Previsibilidade

“Interpraias passou a formar um mercado próprio. O investidor não está olhando apenas para o imóvel, mas para aquilo que o lugar pode ou não pode se tornar daqui a dez ou vinte anos. Quando existem regras ambientais e urbanísticas claras, a previsibilidade entra no preço”, afirma Maurício Girolamo, CEO da J. Maurício e vice-presidente do conselho gestor da APA Costa Brava.

Na prática, essa previsibilidade está ligada ao plano de manejo da região, que limita a ocupação: nas áreas planas, o limite é de até três pavimentos e a ocupação máxima chega a 40% do terreno; na morraria, o gabarito é menor e a ocupação, mais restrita.

Para Theo Girolamo, corretor da J. Maurício, a semelhança com os Hamptons aparece no perfil de demanda. “O comprador de segunda moradia ou de longo prazo quer silêncio, privacidade, baixa densidade e um entorno preservado. Quando isso vem acompanhado de oferta limitada, o imóvel deixa de valer só pela metragem e passa a valer pelo território”, diz. Essa leitura ganha força porque a Interpraias combina praias preservadas e baixa ocupação, mas com acesso rápido ao centro de Balneário Camboriú, algo raro em mercados de litoral que já avançaram para a saturação.

Há ainda um fator adicional que interessa ao capital de longo prazo: sinais de organização territorial. A região anunciou R$ 720 mil em investimentos em segurança e monitoramento, com uma primeira etapa de cerca de 100 câmeras, em um movimento que o mercado local lê como reforço de proteção patrimonial e estabilidade do entorno. “Se os Hamptons transformaram escassez, litoral preservado e privacidade em ativos globais, a Interpraias começa a trilhar um caminho semelhante em escala brasileira: um mercado em que o valor do imóvel depende cada vez mais da raridade do lugar onde ele está”, conclui Maurício.

Foto: Daniel Leite/Divulgação

Leia outras notícias no HojeSC.