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Por que fugir se é possível tergiversar?

Por que fugir se é possível tergiversar?

debate

Flávio Bolsonaro, o poste, decidiu fugir do debate no próximo domingo (18), na Band. Seria o primeiro e, talvez, o penúltimo. Agora não se sabe. Lula indagará a uma cadeira vazia e, dessa vez, não haverá uma ministra Estela Aranha para impedir a presença da peça de mobiliário onde o derrière abunda.

É um erro do candidato, que vem jogando parado enquanto o adversário esperneia. Fosse ao debate, agiria segundo a cartilha do Leão da Montanha. No desenho de Hanna-Barbera, o felino, quando encurralado, usava o bordão “saída pela direita” ou “pela esquerda” para se retirar de uma situação difícil.

Flávio, o poste, poderia muito bem evitar o desgaste e comparecer usando estratégias diretas e educadas que, salvo engano, estão em cartilhas vendidas em papelarias — algumas feitas para colorir. Em síntese, as técnicas seriam as mesmas utilizadas para escapar de jantares de família ou daquele conhecido que você finge não ver no supermercado.

Debates costumam ser engessados e, por isso mesmo, perfeitos para fugir mesmo estando presente. Diante de uma questão embaraçosa, o poste poderia se sair com essa: “Eu prefiro não entrar nesse assunto agora. Acho que não vamos chegar a um consenso sobre isso, então é melhor mudarmos de tema”.

Ou: “Entendo o seu ponto de vista, mas pensamos diferente sobre ele”. Se o oponente insistir — principalmente se o assunto tratar do financiamento do filme Dark Horse —, é possível fingir um ataque de espirro, simular uma cãibra fantasma ou um compromisso urgente: “Meu Deus, é hora do chá das 5”.

Se a pergunta for embaraçosa, o candidato pode reclamar de um defeito técnico. Puxar o fio da tomada, informar que não ouve o retorno, indicar qualquer coisa estrambótica do tipo “a frequência da oposição está interferindo no meu marcapasso psicológico” e sair imediatamente para falar com a produção.

Na sua vez de perguntar, pode seguir por caminhos nunca dantes navegados: apelar aos circunlóquios, às frases longas e às citações. E, quando voltar do infinito, perguntar ao adversário se eles podem resolver suas diferenças em uma mesa de bar, tomando uma cerveja e comendo uma porção de tremoço. Lula já fez essa proposta acerca da guerra da Ucrânia — e é brilhante.

Se tudo der errado, o poste pode recorrer a um ataque cardíaco, uma emergência fisiológica, uma abdução alienígena ou um desmaio súbito. No caso deste último, Flávio Bolsonaro tem experiência. Em 2016, concorrendo à prefeitura do Rio de Janeiro, ele apresentou queda de pressão arterial e precisou ser amparado pelos demais concorrentes. Depois culpou o tucupi com tacacá comido no almoço. Se não foi isso, foi a coxinha e o caldo de cana. Ou uma buchada de bode, que FHC comparou a uma iguaria de Paris, leve e sofisticada — isso antes de ser acometido pela maldição de Matusalém e ganhar dias de rei.

Pensando bem, talvez seja uma oportunidade de ouro para que Bolsonaro filho ocupe o trono. E, assim, se eleito, dê início ao seu programa de obras. Claro que estou me referindo ao verbo “obrar”.

EM TEMPO (**) – De última hora, o poste anunciou, na manhã desta quarta que, sim, irá ao debate. Faz bem. Inclusive fisiologicamente.

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