Caros leitores
Trago a vocês dois poemas de enlevo amoroso, que se completam e se espelham. Em Pétalas Raras, o lirismo se revela na grandeza do sentimento através dos detalhes íntimos e sublimes do cotidiano. Já em “Se você viesse cedinho”, o ciclo do dia se torna metáfora da eternidade do amor, quase uma oração.
Enfim, é bom lembrar que amores podem e devem ser vividos da intimidade concreta à transcendência infinita.
Com lirismo apaixonado, em versos livres, a emoção encontra seu próprio ritmo para se fazer sentir.
PÉTALAS RARAS
Meu amor,
De todas elas,
Sinto-me a sua rainha:
Tecido claro sobre a pele
Coroa de ouro no gesto,
Coleira de pedras da lua
Aos poucos percebi
Que a luz dos meus olhos
É espelho dos seus cristais,
Na minha mansidão serena.
A sua alegria genuína
Estampa a minha vitrine.
Eu sei que você calcula
Os segundos do nosso beijo,
Carinhoso, sem pressa.
No lado esquerdo do seu peito,
Onde moram seus silêncios,
Minha mão palpita
Você conta, uma a uma,
As pintas do meu rosto,
Enquanto nos embrulhamos
Num abraço indomado,
Entrelaçando meu mundo
Aos seus segredos
E, ao sussurrar baixinho:
“Amada, amada, amada…”
Sua voz grave ressoa
Por todos os espaços
Desde a aurora, até a madrugada
O véu, que envolve
A nossa paz
É alvo e translúcido
Como as pétalas
Das orquídeas brancas,
Que não precisam falar mais nada.
Se você viesse cedinho
Ah, se eu soubesse que você viria!
Se eu soubesse que o tempo era nosso,
que o amor era só nosso,
que a vida floresce e cansa…
eu o esperaria desde a aurora,
com minhas primícias o serviria
e de inocência sapeca o embriagaria.
Ah, se você viesse cedinho!
A nossa semente daria flor e fruto,
o dia não nos cansaria…
esperaríamos o pôr do sol sem medo,
a noite seria apenas passageira
E nós viveríamos juntos
Todas as vidas
Eternidades
Infinitos
Que a nossa chama alcançasse.

