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Pesquisas, ai de nós

Pesquisas, ai de nós

garçom

Agora que as eleições já se foram, depois de meses de pesquisas atulhando nossas mentes com números de todas as vertentes, me dou conta de que as pesquisas eleitorais são mero detalhe no lucrativo, pelo jeito, mercado pesquisador.

Temos as pesquisas econômicas, ótimas medidoras de tendências; as médicas, importantes análises sobre a evolução de tratamentos, e outras de igual quilate.

Como também existem as exóticas, algumas de tal excentricidade que deveriam ser agrupadas às médicas, no capítulo Saúde Mental do ser humano.

Dia desses, vi um exemplo típico. Foi anunciado o recorde mundial de deslizamento com meias. Um cidadão, cuja origem me escapa, superou marcas anteriores ao deslizar alguns metros calçando um par de meias. Já antevejo uma febre a popularizar esta nobre invenção. A Lupo, por exemplo, pode lançar meias tecnológicas, com sola envernizada para diminuir o atrito com o solo. E preparem-se para o campeonato mundial a ser realizado nos salões de um palácio tipo Versalhes, encerado para o deslizar dos, digamos, atletas.

Outras pesquisas vão aparecer. Ao observar o quanto correm os garçons de grandes restaurantes, especialmente aos domingos, me veio a ideia de medir os quilômetros percorridos por cada um – e tentar inaugurar nova competição, válida para o mundo todo. Aposto que um bom garçom do Madalosso seja forte candidato.

As disputas seriam aferidas às segundas-feiras – com apostas liberadas em torno do planeta. Surgiriam os Messi da bandeja, com velocidade nas pernas e controle nos braços, haveria treinamentos especializados e, em futuro próximo (por que não?), seria incluído como esporte olímpico. Além das medalhas por quilômetros percorridos, seriam concedidas outras, para o suor dispendido. Nesse quesito houve dúvidas sobre quem levaria o ouro. Aquele que mais sua ou quem menos empapa a camisa branca com gravata borboleta?

Para encerrar a discussão propus uma reunião com o representante do sindicato dos garçons, um médico endocrinologista, um especialista em preparação física e um roupeiro de time de futebol, aferidor empírico de toalhas molhadas por atletas.  O resultado foi salomônico. Ficou estabelecida a concessão de medalhas para os dois extremos.

Ainda se discutiu a exigência de os garçons usarem máscara, para evitar perdigotos nos pratos e nos clientes, ou se haverá cartão vermelho para tamanha infração das normas sociais.

Alguém sugeriu a adoção do VAR, o que encrespou o ambiente. O problema será discutido na próxima reunião do Comitê Olímpico.

Antes farão uma pesquisa.

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