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EFEITOS DO EL NIÑO

Período de maior risco para tornados no Sul ainda está por vir, diz meteorologista

tornado Pedro Osório RS hojesc

logo estadão

Após três episódios recentes de tornados no Sul do País, o período de maior risco para a ocorrência desse tipo de fenômeno ainda está por vir. A avaliação é do meteorologista Luiz Nachtigall, da MetSul, que chama a atenção para a aproximação da primavera e para um cenário atmosférico que deve permanecer favorável à formação de tempestades severas nos próximos meses.

“O El Niño favorece uma maior frequência de eventos severos e, à medida que se tem maior número de tempestades, também tem maior risco de tornados”, diz Nachtigall.

Conforme Nachtigall, as áreas mais propícias no Brasil para ocorrência de tornados são os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, parte do interior de São Paulo e o sul do Mato Grosso do Sul, mas fundamentalmente os Estados da região Sul.

O especialista explica que o Rio Grande do Sul está localizado em uma das regiões meteorologicamente mais favoráveis do planeta para a formação de tornados. “Diversos pesquisadores classificam a área que engloba o Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), o Uruguai, o norte da Argentina e o Paraguai como o chamado Corredor de Tornados da América do Sul”, diz.

Esta região, segundo ele, reúne ingredientes atmosféricos semelhantes aos encontrados nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, onde está localizada a famosa Alameda dos Tornados (Tornado Alley, em inglês), termo usado para descrever a região central do país, onde os tornados ocorrem com maior frequência. No corredor, entre os Estados de Oklahoma e Iowa, acontece o choque do ar quente do Golfo do México com o ar frio das Montanhas Rochosas.

“Não acredito que os dois tornados que atingiram o Rio Grande do Sul em menos de dez dias devam ser vistos como uma sequência encerrada. Pelo contrário. Minha preocupação, olhando para o cenário atmosférico que temos pela frente, é que os meses de maior risco para tempestades severas e tornados ainda estão por vir”, afirma Nachtigall em texto publicado nesse domingo, 9, no site da empresa de meteorologia.

O meteorologista pondera que a avaliação não significa que uma série de tornados necessariamente atingirá a região. ​“Tornados são fenômenos extremamente localizados e impossíveis de prever com precisão de muitos dias ou semanas de antecedência. O que podemos avaliar é o ambiente atmosférico e, neste momento, ele aponta para uma temporada de tempestades que merece muita atenção”, explica.

O alerta ocorre após tornados serem registrados no Rio Grande do Sul e no Paraná em um intervalo de menos de duas semanas. No sábado, 8, um tornado atingiu a área rural de Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná. Segundo a Defesa Civil estadual, 20 residências foram afetadas e pelo menos 20 pessoas ficaram desalojadas.

Já na quinta-feira, 6, um tornado atingiu Pedro Osório (RS). Segundo o Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Estado, o fenômeno foi gerado por uma supercélula, uma tempestade com rotação, e atingiu a região de Matarazzo, onde provocou destelhamentos. Pouco mais de uma semana antes, na noite de 28 de julho, outro tornado atingiu Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro, também no Rio Grande do Sul.

Primavera aumenta condições para tempestades

Para Nachtigall, os três episódios recentes não devem ser analisados apenas de maneira isolada porque as condições atmosféricas devem continuar dinâmicas nos próximos meses. Nesse cenário, um dos fatores que merece atenção é o El Niño.

O meteorologista ressalta, porém, que o El Niño não provoca tornados diretamente. O fenômeno pode alterar padrões de circulação atmosférica e contribuir para combinações de fatores que elevam o risco de tempo severo.

“O El Niño não produz tornados diretamente. Não existe uma relação simples de causa e efeito em que o fenômeno oceânico provoque automaticamente um tornado. O que ele pode fazer é modificar padrões de circulação atmosférica e favorecer determinadas combinações de calor, umidade, instabilidade e vento que aumentam o risco de tempo severo”, explica.

A tendência é de que o El Niño se intensifique no segundo semestre de 2026 e possa atingir intensidade “muito forte” entre a primavera e o início do verão, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, altera a circulação atmosférica e pode favorecer eventos extremos. A probabilidade de permanecer ativo pelo menos até o início de 2027 é de 100%. No Brasil, a região Sul, historicamente, é a mais afetada, com maior frequência de chuvas acima da média, temporais, cheias, enchentes, alagamentos e deslizamentos.

Nachtigall explica que, embora o inverno também possa registrar tempestades violentas, a disponibilidade de calor e umidade aumenta à medida que setembro, outubro e novembro se aproximam.

“A aproximação da primavera é especialmente importante. O inverno ainda pode produzir tempestades violentas, como acabamos de testemunhar. Mas, conforme avançamos para setembro, outubro e novembro, aumenta a disponibilidade de calor e umidade na atmosfera. E calor e umidade são combustíveis para tempestades”, afirma.

Segundo o meteorologista, quando essas condições se combinam com frentes frias, áreas de baixa pressão, jatos de baixos níveis e forte cisalhamento do vento, podem se formar tempestades altamente organizadas. “É justamente por isso que a primavera é uma estação de atenção especial no Sul do Brasil”, diz Nachtigall.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

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