A Câmara dos Deputados se prepara para escrever um dos capítulos mais vergonhosos de sua história. Mais um, diga-se de passagem. Sob a presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB), avança a chamada PEC da Blindagem, que deveria ser conhecida, na verdade, como PEC da Vergonha. A decisão de Motta de colocar a PEC na pauta de votações é um escárnio contra o povo brasileiro. Em vez de legislar em favor da sociedade, o Parlamento escolhe legislar em causa própria, criando mecanismos de autoproteção para escapar do alcance da Justiça.
A proposta, agora nas mãos do relator Cláudio Cajado (PP-BA), pretende devolver aos deputados e senadores um privilégio que já havia sido enterrado pela democracia: a necessidade de autorização do Congresso para que parlamentares possam responder a processos criminais.
Não há argumento honesto que sustente tamanha afronta. Em outras palavras, a vergonha PEC cria um escudo de impunidade, um salvo-conduto para que corruptos e criminosos de colarinho branco sigam intocáveis. A mensagem é cristalina: ao cidadão comum, a Justiça, aos políticos, a blindagem.
Nada justifica essa iniciativa torpe. Trata-se de uma manobra para sabotar investigações, travar a Justiça e blindar os poderosos. É a institucionalização da vergonha: políticos definindo se eles mesmos podem ou não ser investigados. Para qualquer cidadão comum, a lei é dura e imediata. Para os parlamentares, pela lógica dessa PEC, só haverá Justiça se os próprios pares permitirem. Isso não é democracia — é pilhagem institucionalizada.
Os deputados que defendem essa monstruosidade expõem com clareza sua verdadeira lealdade: não ao eleitor, não à República, mas a um sistema de privilégios que envergonha o Brasil. É a confissão explícita de que preferem se proteger a prestar contas. São cúmplices de um projeto de degradação política que transforma o Legislativo em reduto da safadeza. É a transformação definitiva da Câmara em clube privado, onde quem tem mandato compra imunidade no balcão das emendas constitucionais.
Hugo Motta, ao pautar o assunto, assume papel de fiador dessa indecência. Age como servidor dos interesses mais rasteiros da política. Não há neutralidade em sua decisão. Quem coloca em votação uma safadeza dessas se torna cúmplice dela. Trocar relatoria, manobrar bastidores e empurrar a votação desse absurdo significa escolher o lado errado da história, o lado dos que acreditam que mandato é sinônimo de imunidade e que o Parlamento pode pairar acima da lei.
A sociedade precisa compreender o tamanho da ameaça. Aprovada, essa PEC da Safadeza jogará no lixo décadas de esforço institucional para reduzir privilégios e tornar o país minimamente decente. É a negação do Estado de Direito. É a legitimação da impunidade.
O Brasil não precisa de blindagem para parlamentares. Precisa de Justiça para todos. Deputado que defende essa PEC vergonhosa deve ser lembrado nas urnas como o que de fato é: cúmplice da impunidade e inimigo declarado da democracia e do país. O HojeSC ficará atento aos parlamentares paranaenses.
Não há meio-termo. A PEC da Vergonha precisa ser derrotada. Ou o Brasil escolhe a Justiça, ou aceita ser governado pela impunidade institucionalizada.
Imagem: Gerada por IA/Grok
Leia outras notícias no HojeSC.

