Pular para o conteúdo
ANA CLAUDIA WIECHETECK CABECA hojesc

Os primeiros passos no digital

digital

Nós, empresários, estamos vivendo uma época de mudanças muito claras. Já não é preciso estar muito atento para ver estas transformações nas dinâmicas do empreendedorismo. As mudanças e a evolução trazida pelo digital estão tão gritantes que são visíveis até ao mais cético dos profissionais. Durante muitos anos, o pequeno empresário pôde adiar decisões de ingressar no ambiente online. Era possível sobreviver com indicações dos seus clientes, relacionamento próximo e algum improviso. Esse cenário não existe mais. Em 2026, usar ferramentas digitais deixou de ser uma vantagem competitiva e passou a ser parte da estrutura básica de qualquer negócio que tenha a intenção de continuar existindo.

Então, a questão que se levanta já não é se a empresa deve estar no digital. Isso está resolvido e não há mais dúvidas sobre isso. A pergunta real é outra: como competir com empresas maiores, mais estruturadas e com orçamentos muito superiores, sem desperdiçar tempo, dinheiro e energia?

A resposta começa com uma palavra difícil de traduzir em ações concretas do dia a dia: assertividade. Empresários em cenário de sobrevivência não precisam de mais informação. Precisam tomar decisões com base no que já sabem e agir. Já falamos sobre isso: excesso de informações pode gerar mais indecisão, travar a disposição e criar um ciclo de procrastinação. Você já conhece o seu negócio e tem dados suficientes. Agora, precisa aumentar a execução dentro do seu planejamento.

Um erro muito comum que vejo hoje dentro do digital é “estar em todo lugar”: redes sociais, WhatsApp, anúncios, site, e-mail, vídeos, parcerias, influenciadores… Tudo ao mesmo tempo. O resultado costuma ser previsível: muito esforço, pouco retorno e a sensação constante de que o digital “não funciona”.

Já está mais que provado que o digital funciona. O que não funciona é usá-lo sem objetivo e com estratégias que não se conversam. Quando o orçamento é limitado, cada ação precisa ter um motivo claro para existir. Não dá para investir por impulso ou por modismo. O pequeno empresário precisa escolher batalhas que possa vencer. E isso exige aceitar que não dá para fazer tudo.

Isso significa que toda presença digital precisa responder a algumas perguntas muito simples:

– Quem eu quero atingir?
– Qual problema eu resolvo?
– Por que alguém escolheria a minha empresa?
– Qual é o próximo passo esperado dessa pessoa?

Sem essas respostas, qualquer investimento vira uma aposta irresponsável. E estas respostas não são, necessariamente, frutos de uma estratégia digital. Mas são a base estratégica da sua empresa e devem ser claras dentro ou fora do ambiente online.

Outro ponto fundamental é abandonar a comunicação genérica. Pequenas e médias empresas não podem se dar ao luxo de falar com “todo mundo”. Quem tenta agradar a todos, acaba não sendo impactante para ninguém. Neste sentido, a assertividade significa escolher um público prioritário e falar diretamente com ele, com linguagem clara e expondo exatamente a solução que você oferece para a dor que estas pessoas sentem. Quando o seu cliente sente segurança no seu negócio através da sua comunicação, você está a um passo de conquistá-lo.

O ambiente digital também é muito importante para a sua empresa ganhar eficiência, não apenas visibilidade. A automação simples de atendimentos em plataformas de bate papo está no topo das tendências de Marketing digital para 2026. Manter uma organização básica de contatos, histórico de conversas com os clientes e acompanhamento de propostas já colocam uma pequena empresa muitos passos à frente de concorrentes que ainda operam no improviso. Perceba que a eficiência não é sobre tecnologia de ponta. É sobre processos minimamente organizados.

Apesar da dinâmica tão acelerada do digital, é um erro esperar resultados imediatos. As ações de Marketing digital exigem constância e visão de médio a longo prazo. Quem entra esperando retorno rápido, além da frustração, costuma desistir antes de colher qualquer resultado. Aqui entra a maturidade do decisor. Assertividade também é saber diferenciar ações de curto prazo, que geram caixa, daquelas que constroem posicionamento ao longo do tempo. As duas são necessárias, mas não podem ser confundidas.

Por fim, há um ponto pouco falado, mas determinante: o empresário precisa assumir seu papel de líder da estratégia e que neste papel, ele não é a pessoa que executa tudo. Não é preciso saber fazer, mas é muito importante saber o que está sendo feito e por qual motivo. Contratar gestores de tráfego ou social media, ainda que free lances, especialistas no seu segmento, pode ser um passo importante para posicionar a sua empresa de forma mais adequada dentro de uma ferramenta cuja visibilidade pode mudar a realidade do seu negócio e do seu faturamento.

Em qualquer cenário, vence a empresa que tem a estratégia mais inteligente. As empresas mudam o seu jogo quando entendem que menos ações, mas melhor pensadas, valem mais do que uma presença digital inflada, cheia de likes e seguidores, mas que não geram vendas.

O digital é obrigatório, mas não aceita improviso. Empresários que entenderem isso agora se posicionam para crescer com solidez, mesmo em cenários de concorrência acirrada.

Leia outras colunas da Ana Claudia Wiecheteck aqui.