Nos últimos tempos, em meio à polarização política que tomou conta das redes sociais, uma expressão passou a circular com frequência e acabou virando alvo de críticas dos dois lados: “o CEO de MEI”. Não vou trazer nenhuma discussão política aqui, mas independentemente de qual lado esta expressão é dita, existe uma reflexão interessante para quem empreende, cujo tema central eu tenho trazido bastante nas últimas colunas: qual é a mentalidade de quem está à frente de uma pequena empresa?
Ser microempreendedor individual significa começar pequeno. Isso faz parte da realidade de milhões de brasileiros que decidiram transformar uma habilidade, um conhecimento ou uma oportunidade em fonte de renda. Alguns viram no empreendedorismo individual a solução para o desemprego. Outros o início da realização de um sonho. Outros apenas uma forma de cumprir com as obrigações financeiras do mês. O problema aparece quando o empresário confunde o tamanho atual da empresa com o nível de profissionalismo que deve operar nela.
Uma micro empresa também precisa de organização, planejamento, responsabilidade e compromisso. Mesmo que o negócio esteja funcionando na sala de casa, em uma pequena loja, em um salão, em um consultório ou sendo conduzido pelo celular, existem clientes, fornecedores, dinheiro, prazos e reputação envolvidos. Cada decisão tomada hoje ajuda a construir o negócio que poderá prosperar ou encerrar as suas atividades amanhã. Cada atitude, não importa o tamanho da empresa, é uma semente que vai gerar frutos.
Muitas empresas que hoje possuem estruturas grandes começaram de maneira bastante simples, muitas vezes a partir da iniciativa de uma única pessoa. O que fez essas empresas crescerem não foi apenas uma boa ideia. Na maioria dos casos de sucesso, o que vimos é um empresário obstinado em fazer a sua empresa dar certo. Não faltam dedicação e foco de transformar essa ideia em negócio, criando processos, entendendo o mercado, controlando os recursos e tomando decisões com responsabilidade. Mês após mês, ver as vendas como um desafio a ser cumprido e não apenas uma atividade do dia a dia.
Por isso, o empresário que está começando pode e deve pensar grande, mesmo que o faturamento ainda seja pequeno. Pensar grande, neste caso, significa levar o próprio negócio a sério e acreditar que com profissionalismo e responsabilidade, ele pode fazer a sua empresa crescer e lucrar mais. Significa separar as contas pessoais das contas da empresa, registrar as vendas, acompanhar os custos, conhecer os clientes, organizar os processos, cumprir prazos, estudar o mercado e planejar os próximos passos. Outro ponto fundamental é estar sempre em dia com as suas obrigações fiscais e tributárias. Os impostos não perdoam o amadorismo.
Também significa compreender que profissionalismo não depende de uma grande estrutura. Um prestador de serviços que responde seus clientes no prazo, apresenta uma proposta organizada, cumpre aquilo que prometeu e mantém seus compromissos financeiros está demonstrando profissionalismo. Uma pequena loja que controla estoque, conhece sua margem e acompanha seus resultados também.
É claro que o crescimento de uma empresa não acontece de uma hora para outra. Ele é construído a partir de pequenas decisões repetidas durante muito tempo. E, quando essas decisões são tomadas com seriedade desde o começo, a empresa cria uma base mais preparada para crescer.
Talvez a melhor pergunta para quem hoje é MEI ou possui uma pequena empresa seja simples: se o meu negócio crescer dez vezes nos próximos anos, os processos e a forma como eu trabalho hoje serão capazes de acompanhar esse crescimento?
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