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KARLA KUSTER CABECA hojesc

O RH que confunde cultura com zona de conforto

O RH era visto como um mundo paralelo, um departamento repleto de holofotes, onde ditam as regras, garantem os benefícios, controlam os holerites, oferecem treinamentos e “defendem” promoções, de acordo com os diplomas.

O que acontece é que as pessoas se cansaram de áreas que se sentem protagonistas e não entregam resultados. O debate verdadeiro não é se o RH deve existir ou sumir, mas a discussão é se a área está gerando valor para o negócio ou apenas ocupando espaço e criando processos.

O mercado nunca gostou da “não entrega” de resultados. Nunca. O que mudou é que, em tempos de pressão por eficiência, a paciência acabou. Chegou o momento em que o RH começou a confundir cultura com excesso de conforto, acolhimento com baixa exigência e liderança humanizada com permissividade. O papo sobre “pessoas em primeiro lugar” virou, em muitas empresas, desculpa para não cobrar performance, não dar feedback duro e não alinhar o time à estratégia.

Resultado? Colaboradores protegidos da realidade e negócios sangrando.

Não se trata de voltar ao modelo antigo de chicote e medo, onde o funcionário só baixava a cabeça aos caprichos do chefe. Não, mas quero lembrar o óbvio: empresa existe para gerar valor: lucro, sustentabilidade, entrega ao cliente.

Toda área — comercial, financeiro, operação, marketing e sim, RH — precisa provar, todo dia, que contribui para isso. Quem só cria reuniões, políticas e jargões sem impacto no resultado vira custo. E custo, em momento de aperto, é cortado.

Cultura forte não é a que evita conflitos, mas é aquela que enfrenta a mediocridade com clareza. Acolhimento verdadeiro não é perdoar baixa entrega. É dar condições e, ao mesmo tempo, exigir responsabilidade. Liderança humanizada não é ser o “chefe bonzinho”, é ser justo: reconhece o bom, corrige o ruim e não deixar o time se acomodar.

O RH que o mercado precisa hoje é o RH que senta na mesa com o comercial e o financeiro, entende o caixa, o cliente e a estratégia e ajuda a empresa a ter as pessoas certas no lugar certo, com a mentalidade certa. É o RH que mede impacto, não só clima. Que forma líderes capazes de cobrar e desenvolver. Que transforma cultura em vantagem competitiva, não em zona de conforto com puff, suco detox e cappuccino de avelã.

Toda área deve gerar valor. Ponto. Quando a área se esquece disso e se coloca como estrela isolada, o mercado cobra. Às vezes de forma dura.
A lição não é acabar com o RH. É exigir que ele, como todas as outras áreas, prove seu valor todos os dias.
Porque, no fim, o negócio não sobrevive de boa intenção. O negócio sobrevive de entrega.

Imagem: gerada por IA

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