O torcedor comum, amante das cores do seu time, visualiza o futebol nacional como um 11 contra 11. A paixão e a emoção tiram a razão. Esse mesmo torcedor acha que jogar contra qualquer time de São Paulo é como jogar contra o adversário local.
Não é! As diferenças de conceito, de mercado e de cifras envolvidas dão um “tapa na cara” de qualquer outro torneio regional.
Antes de tudo, precisamos estabelecer parâmetro de comparação. Mostremos o Campeonato Paranaense, que tem dois clubes na divisão principal do Brasil.
Não há venda de naming rights do torneio. Os participantes tem cota nula de recebimentos financeiros. A transmissão é feita apenas por streaming de menor alcance. Como patrocinador temos a marca de refrigerante Refriko (particularmente não conheço, pode ser falha minha). Também temos placas no campo da Webmotors e da Fatal Models (da qual tenho opinião totalmente contrária em se colocar como patrocinadora, afinal futebol é produto de famílias, mulheres e crianças… enfim). Resumo da ópera: baixa visualização, baixo apelo, baixíssimo investimento. Lembrando que, mesmo nesse cenário bem nebuloso, os clubes precisam achar receita (sabe-se lá de onde) para montar elencos e competir.
Aí vamos para o torneio de nosso estado vizinho. Comparem à vontade!
São 6 clubes que disputam a série A do Brasileiro. Os clubes chamados “grandes” receberam, em 2025 (ainda não temos dados de 2026), valores na casa de 40 milhões de reais pela participação. Naming rights do torneio vendidos para Casas Bahia. Patrocinadores da edição: 7K, Betano, Bet365, Bis, Clear, Dorflex, Pedigree e Sil. Parceiros apoiadores: Latam, Aurora, Assaí, Energizer, Rivalo e Itaipava. A transmissão é feita pela Record na tv aberta e pela Cazé TV nas plataformas digitais (atingindo todas as “classes” de consumidores).
O poder de fogo é muito desproporcional. Mesmo com alguns times de lá sendo vitimados pela sua própria política interna e por um sistema de gestão associativo inchado, arcaico e problemático, as equipes tem diferencial competitivo absurdo quando comparadas às outras equipes do Brasil.
Tem dinheiro para contratar desde o início do ano, sem acumular prejuízo financeiro por conta de um campeonato deficitário. Tem condições de estruturar equipe de maneira robusta (esportivamente falando), pois o nível técnico do torneio é superior aos demais. Tem imagem disseminada por todo o país, aumentando receitas que vêm do consumo de seus produtos. Tem fidelização da marca devido ao alcance de sua imagem.
A competição é desleal e não tem como ser equiparada. O mercado sozinho de São Paulo é maior que o mercado de muitos países do mundo.
Quem acha que futebol é 11 contra 11, dentro do campo, é muito ingênuo. Pode-se até conseguir uma vitória aqui ou acolá. Mas a competição sempre poderá ser equiparada à uma guerra entre EUA e Paraguai. Já se entra sabendo quem ganhará!
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