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GLENN STENGER CABECA hojesc

O futebol nos EUA. Qual o tamanho do mercado?

Do Brasil e de suas duas Ligas “briguentas” nós já falamos bastante por aqui.

Talvez seja a hora de olharmos para as atitudes e as ações que dão certo. Os EUA estão longe de ser o país perfeito, mas estão muito mais perto do que nós. Esporte para eles é sinônimo de vitalidade, energia, aprimoramento constante, competitividade e, como não citar, dinheiro!

Lá o esporte futebol nem é assim chamado. É chamado de “soccer”. Mas, nem pelo fato de possuir nomenclatura diferente, ele possua regras ou parâmetros que não sejam os mesmos do futebol praticado no restante do mundo. O produto, o esporte, é igual.

O que não é igual é a organização. A maneira com que eles tratam esse produto. Mesmo esse produto esportivo não estando sequer entre os 5 esportes mais populares na terra do Tio Sam, o mercado é gigantesco e as condições de prática e comercialização são espetaculares.

Há escolas dedicadas ao ensino e prática por toda parte. Meninos e meninas (lá sim o futebol feminino é encarado com profissionalismo) dedicam-se ao aprendizado desde muito cedo. Pais matriculam seus filhos por todo os estados da federação buscando que eles tenham melhora em suas capacidades físicas e na socialização. Não apenas para buscar fazer deles eventuais “ativos” valiosos no futuro. É um esporte de fácil prática, acessível e prazeroso para as crianças.

Tem-se dezenas de ligas amadoras e de college. Busquei pesquisar para saber número mais aproximado, mas não há base que mensure com exatidão. Só há a certeza que são muitas ligas. E todas elas organizadas, com bons campos de grama natural ou sintética, com infraestrutura, materiais e equipamentos de excelente qualidade para os atletas, uniformes, árbitros com preparação técnica, etc. Isso ajuda a fazer o “gosto” pelo esporte se difundir num ambiente dominado pelo futebol jogado com as mãos e pelo basquete (principalmente nos estados mais “tradicionalistas”.

E o topo da cadeia hoje é a MLS. A Liga principal. Organizada e lucrativa. Antes só estrelada por atletas de destaque que já estavam no finalzinho de suas carreiras. Hoje eles ainda estão por lá (Messi, por exemplo), mas há uma enxurrada de bons atletas de todos os continentes atuando nos gramados do país.

Essa projeção já está refletida em números. Estima-se que, em 2025, a MLS tenha faturamento próximo a U$2,2bi. Acreditem, isso já será maior que o que faturaremos em nossos campeonatos disputados no Brasil. Prova cabal de que organização, profissionalismo, dentro de um país sério, traz dinheiro, traz recurso, traz credibilidade.

E não há limite, não há fronteira. Se a liga principal do “soccer” deve faturar U$2,2bi, as ligas de futebol americano (NFL) e de basquete (NBA) devem faturar, respectivamente, U$20 bi e U$12bi. É óbvio que o “futebol soccer” nunca transporá a barreira cultural que os americanos têm de “endeusar” esses dois esportes. Mas também é óbvio que o viés é totalmente de alta e que muitos degraus ainda podem ser alcançados. A MLS foi fundada só em 1993 e seu primeiro campeonato oficial só foi realizado em 1996. Tem pouco mais de 30 anos e já é, no aspecto business, uma das 5 maiores do planeta.

Os jogadores que lá estão jogando e os meninos que por lá estão sendo formados, não tem a “malemolência” dos atletas brasileiros. O jogo é mais “quadrado”. Mais tático e menos técnico. Contudo, as pessoas, as empresas e as ligas de lá, fazem com que o esporte seja muito mais respeitado, mais credibilizado e muito mais vendável que o mesmo esporte que praticamos aqui na nossa democrática nação tupiniquim.

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