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KARLA KUSTER CABECA hojesc

O efeito colateral do Mounjaro

Ei, você aí, dono de loja plus size: já parou para pensar no que acontece quando metade dos seus clientes decide virar modelo fitness da noite para o dia? Estou falando do queridinho Mounjaro, esse remédio milagroso para perda de peso, que está virando febre. Ele e seus primos similares, estão mudando não só corpos, mas o jogo inteiro da economia. E o impacto vai além das araras de roupa.

Vamos aos fatos: com mais gente usando esses medicamentos milagrosos, a demanda por roupas grandes está caindo. Fiz uma rápida pesquisa e levantei que nos EUA, vendas de tamanhos L, XL e XXL despencaram de 2022 pra 2024, enquanto XS e S subiram. Aqui no Brasil, o efeito deve bater parecido, porque o acesso a esses remédios está crescendo. Farmácias cheias, influencers postando antes e depois. Resultado? Lojas plus size podem perder bilhões em estoque encalhado se não se mexerem. Imagina: pilhas de calças 48 virando poeira, enquanto a galera pede 38.

Um estudo gringo alerta para um rombo de US$ 5 bilhões até 2027 só por desajuste de tamanhos. E as devoluções? Explodindo, porque o corpo muda rápido e a roupa não acompanha.

A hora é de se reinventar. Lojas especializadas vão ter que diversificar, incluir tamanhos menores, criar linhas de “transição” para quem tá emagrecendo, tipo roupas ajustáveis ou com elástico.

Agora, vamos ampliar o horizonte: o Mounjaro não para na moda. Pensa no setor de alimentos. Gente com apetite reduzido corta gastos em comida. Nos EUA, supermercados perdem bilhões porque quem aderiu a onda do emagrecimento rápido está comprando menos snacks, doces e bebidas. Aqui no Brasil, imagina o impacto nas feiras de rua, padarias e fast foods? Menos pão de queijo, menos pastel. Oportunidade? Investir em opções saudáveis, low-cal ou proteínas: quem emagrece ainda come, mas escolhe melhor.

No mundo fitness, a demanda nas academias explode: mais gente matriculada, afinal emagrecer pede manutenção pós-perda. Detalhe, eu disse matriculada, fazendo exercícios exige um pouco mais de esforço…

Outros mercados? Cirurgias plásticas: pele flácida pós-emagrecimento vira boom. Seguros saúde: custos com diabetes caem, mas remédios caros sobem a conta inicial.

Até o mercado de trabalho sofre impacto, trabalhadores mais saudáveis faltam menos, produzem mais.
No fim, quem surta perde; quem planeja, lucra. Esses remédios trazem saúde, mas bagunçam o varejo, a comida, os planos de saúde e mais. A dica? Use isso como GPS no seu negócio: mude a rota agora, antes que seja tarde.

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