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KARLA KUSTER CABECA hojesc

O Diabo Veste Prada: de 2006 a 2026 – o preço do poder mudou, mas continua alto

o diabo veste prada

Não vá ao cinema esperando o mesmo glamour de 2006! Apesar de me deparar com muitas pessoas estilosas, com boinas, pérolas e roupas que espelhavam O Diabo Veste Prada 1, vinte anos separam o clássico de 2006 do novo O Diabo Veste Prada 2 e o contraste é grande.

Já de cara lembro das grandes filas para assistir ao primeiro filme. Hoje compramos tudo pela internet, com poltronas numeradas e podendo incluir a bomboniere.

Sim, o tempo passou.

No primeiro filme, o império da Runway era inabalável, Miranda Priestly reinava absoluta, com orçamento ilimitado, assistentes aterrorizadas e a certeza de que “todo mundo quer ser nós”. Andy entrava ingênua, ganhava um banho de loja e saía transformada. O preço? Perdeu seu relacionamento e sua identidade, mas esse era o retrato de um mundo corporativo glamouroso, exigente e ainda analógico.

Em 2026, o cenário mudou. Agora a revista enfrenta o declínio da mídia impressa, cortes orçamentários, concorrência feroz de influenciadores e a pressão implacável por resultados digitais. Miranda teve que se adaptar a regras de RH, cancelamento e um mercado que não valoriza mais tanto o velho glamour editorial. Vemos uma Miranda mais humana e sob pressão, mas ainda icônica.

Andy volta como editora de matérias especiais. Volta mais madura, experiente, com a missão de melhorar a imagem da revista. O diabo continua vestindo Prada, só que agora com menos cetim e mais planilhas de Excel.

O que mudou de verdade, nessas duas versões?

O mercado.

Em 2006, o sucesso era sobre status, tendências que desciam da passarela para as ruas e equipe com obediência cega. Em 2026, é sobre sobrevivência: métricas, engajamento, conteúdo rápido, resultado e adaptação.

Miranda aparece um pouco mais humana, agora sendo corrigida o tempo todo, por uma assistente que cobra cuidado e respeito com o “como e o que é falado” aos colaboradores.

A Runway precisa ser reinventada, em um mundo onde ninguém mais espera a revista chegar na banca. A busca por resultados ficou mais cruel. Não basta entregar – tem que entregar agora, mensurável, viral. Orçamentos apertados forçam escolhas duras.

Muitos profissionais vivem exatamente isso: home office, reuniões virtuais infinitas, IA ajudando (ou substituindo) e a sensação constante de que “podia ser mais”.

Em 2006, o jogo era se adaptar ao código da empresa. Em 2026, é se adaptar ao “código” do mercado inteiro e que muda toda semana: quem não aprende IA e entrega resultado com menos recursos fica para trás.

O novo filme não é só nostalgia. É alerta. O guarda-roupa continua impressionando, mas agora já convive com uma calça jeans surrada e uma camiseta.

O diabo continua elegante, mas hoje movido a likes.

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