Em pouco mais de 10 anos, o Marketing tradicional como era conhecido por muitos profissionais teve a sua dinâmica grandemente alterada. Na publicidade, saímos dos anúncios em mídia de massa como os jornais, revistas, rádio e televisão como principais meios de comunicação e chegamos a um cenário em que empresas de todos os tamanhos podem conversar diretamente com seu público alvo pelas redes sociais e vender pela internet. As ferramentas de Marketing aplicadas aos canais digitais trouxeram velocidade, alcance e possibilidades que seriam difíceis de imaginar há algumas décadas. Esta evolução trouxe muitos benefícios para as marcas, mas o problema começa quando essa trajetória é interpretada como se todos os demais canais de vendas passassem a ser dispensáveis.
O consumidor que está no Instagram pela manhã pode estar no supermercado à tarde, em uma loja no final do dia e diante de um outdoor enquanto se desloca pela cidade. Ele continua sendo a mesma pessoa, com necessidades, desejos, hábitos e momentos diferentes de consumo. Estar conectado grande parte do dia não significa estar permanentemente disponível para comprar. Muitas vezes, a pessoa está nas redes sociais apenas para se distrair, conversar, acompanhar alguém ou simplesmente passar o tempo. Naquele momento, mesmo que seja impactada por uma publicidade, sua disposição para consumir pode ser baixa.
O contexto muda quando existe uma intenção de compra. Uma pessoa que entra em uma loja, visita um shopping, percorre os corredores de um supermercado ou procura determinado serviço em um estabelecimento comercial já está vivendo uma experiência muito mais próxima da decisão de compra. Por isso, os ambientes físicos continuam sendo importantes pontos de contato entre marcas e consumidores. A vitrine, a embalagem, o material de ponto de venda, a degustação, o atendimento, a fachada e até a localização podem influenciar a percepção sobre uma empresa.
Isso significa que uma empresa que possui um negócio físico precisa pensar cuidadosamente sobre o papel que o digital deve desempenhar dentro da sua estratégia. Em muitos casos, as redes sociais podem funcionar muito bem como canais de atração: apresentam a empresa, demonstram seus produtos e serviços, constroem relacionamento e despertam o interesse do consumidor para que ele conheça o negócio pessoalmente. O objetivo não precisa ser transformar cada publicação em uma venda online. O digital também pode levar pessoas para o mundo físico.
Cada empresa precisa entender quais são os canais de vendas e de aquisição de clientes mais adequados para alcançar seu público e qual função cada um deles exerce dentro da jornada de compra. O digital pode atrair. O ponto de venda pode converter. O atendimento pode fidelizar. E o relacionamento pode trazer o cliente de volta para uma nova compra.
O avanço do Marketing Digital não deveria fazer as empresas esquecerem aquilo que o Marketing sempre ensinou: a estratégia básica de todo negócio, onde estuda-se as oportunidades e riscos do negócio, define-se publico alvo, posicionamento, tom de comunicação, argumentos de vendas que visam construir uma experiência coerente em todos os pontos de contato da marca com o cliente.
O cliente de hoje está online, mas continua vivendo no mundo real. E as empresas que conseguirem enxergar essa jornada de forma integrada terão mais possibilidades de utilizar cada canal de acordo com aquilo que ele faz melhor, em vez de simplesmente seguir a tendência de transformar toda presença digital em uma tentativa permanente de vender.
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