
Vivemos tempos que exigem coragem. Não a coragem dos campos de batalha antigos, mas a coragem moral de olhar para o espelho e perguntar: estamos fazendo a diferença ou apenas fingindo que fazemos?
Tenho observado, com um misto de tristeza e inquietação, um fenômeno que contamina muitas das nossas instituições. Enquanto o Brasil enfrenta desafios urgentes — uma crise ética sem precedentes, a erosão das liberdades e um “Leviatã” estatal que avança sobre quem produz —, muitas organizações que deveriam ser faróis de virtude parecem estar anestesiadas. Estão trocando a ação coordenada e efetiva pelo tilintar de medalhas e o conforto das homenagens “de nós para nós mesmos”.
A vaidade é um veneno lento. Ela nos faz acreditar que rituais internos e títulos pomposos substituem o impacto real na sociedade. Mas a realidade bate à porta. De que vale o peito carregado de comendas, a parede cheia de diplomas se, do lado de fora das nossas sedes e espaços institucionais, a República adoece?
Falo aqui com a liberdade e o dever de quem pertence e ama tais instituições. Tomemos como exemplo a Maçonaria, essa Ordem colossal que tanto já fez pela humanidade. Ela possui um capital intelectual e moral inigualável. No entanto, ouso dizer que precisamos de um despertar diferenciado. Não basta existirmos; precisamos ser relevantes.
Essa percepção vale também para associações de classe e entidades representativas em geral, como do setor em que atuo, o de tecnologia da informação. É hora de se manifestar, é hora de agir, é hora de termos entidades comprometidas com os interesses maiores de nossa Nação.
Falta nestes espaços, muitas vezes, porém, o que sobra na iniciativa privada de sucesso: Planejamento Estratégico Nacional. Precisamos de diretrizes claras, metas de impacto social e uma atuação que vá além da filantropia pontual. Precisamos de mais Sociedade e menos consumo interno. É preciso ir além de um arquipélago de boas intenções isoladas; devemos ter um continente de transformação cívica.
O silêncio e a omissão, travestidos de “prudência”, são hoje os maiores adversários do progresso e péssimos para instituições. Fazemos esta crítica de forma construtiva porque acreditamos que é possível.
Mas, caro (a) leitor (a), encerro este artigo com otimismo. Onde há desconforto com a estagnação, há semente de mudança. O Brasil tem jeito, sim, e ele passa por cada um de nós assumindo o protagonismo em seus espaços.
Que deixemos as medalhas nas gavetas por um momento e arregacemos as mangas. Que troquemos a busca por reconhecimento pela busca por resultados que melhorem a vida do nosso vizinho, do nosso bairro, do nosso País. A verdadeira honraria é o legado que deixamos.
Vamos juntos transformar indignação em construção!
Leia outras colunas do Luís Mário Luchetta aqui.

