Ontem o campeonato acabou. Em 2026 começará bem mais cedo por conta do “recesso” causado pela Copa do Mundo. Serão mais de 50 dias com as equipes sem jogar.
Ruim para o campeonato que terá um antes e um depois. Ruim para as equipes que terão que enfrentar sérias dificuldades para manter seus elencos aptos física e psicologicamente, tanto no início do ano, quanto durante a parada. Ruim para o público que não terá, por quase dois meses, seu principal entretenimento em um país que despreza outras modalidades. Ruim para os patrocinadores que terão um interregno de tempo sem poder expor suas imagens. Enfim, a Copa do Mundo é péssima para o futebol local.
Mas vamos falar de 2025. Não tivemos Copa. Tivemos um Campeonato Mundial de Clubes que também paralisou (por muito menos tempo e com muito menos prejuízo) o torneio. Não chegou a atrapalhar por completo.
Nesse ano tivemos a confirmação, a homologação, de tudo o que nós, aqui nesse nosso espaço, defendemos semana pós semana. Vou explicar:
– Não há nenhum outro produto de entretenimento que consiga competir, nem de perto, com o futebol. Mesmo com todas as mazelas de dirigentes, campeonatos mal montados, agendas e horários ruins para exibição de partidas, o futebol sobrevive e traz muito dinheiro ao ecossistema.
– A profissionalização de árbitros e o aprimoramento de tecnologias (impedimento semiautomático, por exemplo) urge. Muito prejuízo foi causado, mais uma vez nesse ano, por conta de despreparo e de falta de tecnologia de ponta já existente.
– Morte anunciada do modelo associativo de clubes. Só há duas exceções. Flamengo e Palmeiras, e por conta de uma série de particularidades e peculiaridades que esses dois clubes possuem. Não houve nenhum outro clube associativo que conseguiu equilibrar aspectos financeiros e desportivos. A política interna atrasa todo esse processo. E não só atrasa, mas também faz perder dinheiro.
– As ligas (hoje, infelizmente são duas e não uma só) trouxeram muito mais receitas para o torneio. Pena que Flamengo, usando do momento financeiro mágico que está passando, não se coloque em posição de negociação aberta. Essa empáfia pode lhe custar caro a médio prazo.
– Ainda em fase de teste, mas com viés positivo, temos a CBF sendo gerida de forma ao menos diferente do que nos acostumamos a ver por décadas. Fair play financeiro também anunciado. Se isso tudo continuar por esse caminho trará mais credibilidade ao produto. E mais credibilidade traz mais receita financeira.
– No início do ano falamos sobre as 3 entidades que estavam com faturamento anual próximo a bilhão. Eram a própria CBF, o Flamengo e o Corinthians. Aguardemos as demonstrações contábeis para passar os números desse ano de maneira exata. Mas o que já se pode dizer é que muito mais dinheiro foi injetado nas instituições. E isso mostra que o céu é o limite. CBF deve ter aumentado em cerca de 20% suas receitas. Flamengo chegará próximo (se não ultrapassar) a casa dos 2 bilhões. Palmeiras, Fluminense e Botafogo devem estar próximos ao bilhão, ancorados pelos seus desempenhos em torneios internacionais (Copa do Mundo de Clubes, por exemplo). Apenas o Corinthians, vítima de sua política interna, talvez tenha sua receita, antes bilionária, diminuída. Um potencial absurdo, estragado por uma série de patacoadas que só um ambiente político, corroído e corrompido, justificam.
2026 será mais um ano de consolidação de profissionalismo. De aceite, por parte dos clubes, de métodos e processos técnico e não empíricos. De gestões profissionais que possam unir resultados financeiros e desportivos, sem que a emoção atrapalhe decisões.
Que o ano seja pródigo em nos apresentar ainda mais alternativas de receita e de fomento ao melhor e maior produto de entretenimento do mundo!
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