Setembro é o mês em que o Brasil celebra sua independência. Mas talvez exista outra pergunta possível quando pensamos em um país: independente de quê — e representado por quem? Porque antes de existir como território, um país também existe como imagem.
Há muitos Brasis fotografados ao longo do tempo. Temos o Brasil das grandes paisagens, das cidades, da floresta, das festas, do trabalho, das periferias, das comunidades, das casas, das estradas. Cada fotógrafo, ao escolher onde colocar a câmera, também escolhe uma maneira de contar esse país.

Luiz Braga encontra o Brasil na luz, na noite, nas pessoas e nas pequenas cenas da Amazônia. Maureen Bisilliat aproxima a fotografia e a literatura para construir imagens de pessoas, territórios e culturas brasileiras. Miguel Rio Branco encontra um Brasil fragmentado em cores, corpos, objetos e atmosferas.

Mas nenhum deles fotografa o Brasil inteiro e, talvez, ninguém possa. Porque um país é grande demais para caber em uma única imagem. Talvez seja justamente aí que a fotografia se torna interessante: na impossibilidade de representar tudo.
Uma estrada pode falar de um território, uma pessoa pode carregar uma história, uma casa pode revelar uma época e uma plantação pode contar sobre trabalho, cultura e pertencimento e até uma parede pode guardar as marcas de quem passou por ela.
Quando fotografamos, fazemos uma escolha. Aproximamos, nos distanciamos, incluímos ou deixamos de fora e, de certa maneira, construímos também a imagem que fazemos de nós mesmos. Por isso, neste mês em que se fala tanto sobre independência, talvez valha pensar também sobre autonomia do olhar. Afinal, quem conta a história de um país? Quem escolhe o que merece ser visto? Quem fica dentro da fotografia e quem permanece fora dela? Talvez um Brasil independente também seja aquele que consegue contar a si mesmo através de muitos olhares. Não existe uma única imagem capaz de explicar o Brasil e ainda bem. Talvez, nossa independência também esteja nisso: poder escolher como queremos olhar. E, principalmente, poder produzir nossas próprias imagens.
(Imagem abertura: Luiz Braga – “Salto no igarapé”, 2021. Presente na Galeria Leme)
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