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GLENN STENGER CABECA hojesc

O Brasil nunca dará certo!

Em três dias seguidos, culminando no sábado, a torcida do Corinthians fez protestos no Parque São Jorge.

Milhares de “torcedores” estiveram nos atos. Fincaram pé na frente da sede do clube, entoando gritos de ordem, chamando os dirigentes de ladrões, exigindo a saída dos mesmos (aos quais denominam de ratazanas), pedindo intervenção imediata, bradando que o clube precisa de “limpeza” para já!

Em momento algum entrarei no mérito da questão. Não tenho nenhuma informação precisa que me traga a sustentação necessária para saber se A ou B tem razão nesse dilema todo.
Mas, o que precisamos registrar é o quanto o brasileiro não tem capacidade de entender o que realmente lhe aflige.

Talvez manipulados por interesses políticos escusos (aprendi que a política no futebol é até mais suja que a política normal), milhares de pessoas saíram de suas casas, deixaram suas famílias, deixaram seus afazeres, deixaram de produzir, para estarem protestando por algo que nem eles sabem direito o que é. Estavam lá, a imensa maioria, como massa de manobra.

Ouvi, certa vez, que o futebol é a coisa mais importante dentre aquelas que não tem importância. E essa informação é verdadeira dependendo de para quem ela é destinada. Para quem está no mundo do esporte, faturando com ele, ela é mentirosa. Para esses, o futebol é sim a coisa mais importante. Mas, para quem é apenas torcedor, absolutamente nada mudará em sua vida se o time perder, ganhar ou empatar.

Deixar tudo para trás e dedicar-se a um protesto como esse (que pode até ser violento) chega a ser irracional se levarmos em consideração que absolutamente nenhuma benesse pessoal se terá. É como ir para uma guerra, de maneira voluntária, sem saber os motivos pelos quais se estará guerreando e sem ter nenhum benefício por estar lá.

Mas, mesmo assim, milhares de brasileiros corinthianos lá estiveram. Que ganharam? Que trouxeram para si? Qual vantagem pessoal obtiveram? Afirmo: nenhuma, zero!

Talvez estudos sociológicos possam até tentar explicar. Mas a explicação, por si só, nunca trará aquilo que se espera de seres humanos: inteligência emocional, senso crítico, análise de retorno sobre suas próprias ações, razoabilidade.

O que me deixa ainda mais perturbado é o fato de isso tudo que eles dizem estarem “combatendo” (roubo, incompetência, gestão lesiva) fazer parte do Estado ao qual eles pertencem e que lhes retira, dia pós dia, liberdade, poder de compra, dignidade. E contra esse Estado, que efetivamente os prejudica, esses “torcedores” não acendem nenhuma fagulha. O protesto é zero. São lesados e permanecem calados.

O futebol não mudará a vida deles. O Estado está mudando (para pior) a vida deles continuamente. Para o futebol todas as armas em punho. Na tratativa com o Estado que lhes suga, submissão e compreensão.

Realmente, o brasileiro médio merece aquilo que lhe é dado!

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