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O 5 a 0 visto pela psicanálise freudiana

O 5 a 0 visto pela psicanálise freudiana

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Que o Coritiba tenha sido humilhado pelo Vasco no fim de semana é questionável. Há um princípio psicológico na derrota que, se não está previsto na International Board da Fifa, deveria. A derrota, quando acachapante, é um experimento típico, um abismo intolerável entre o Ego real (o que é o Coritiba) e o Ideal do Ego (o que o Coritiba pensa que é). O time sofreu cinco gols para fazer desmoronar a ilusão de onipotência. Fosse 1 a 0 e não seria suficiente. Um placar magro, mesmo que favorável ao adversário, é para os fracos. E, no mundo do futebol, os fracos não têm vez.

Causa estranheza apenas o fato de a goleada — que, convenhamos, poderia ser maior, porque tudo se desenhava para um 7 a 0, para um 8 a 0 — não ter ocorrido no Couto Pereira, sempre o palco ideal para desempenhos pífios desse Verdão alface, Verdão de fim de feira, murcho e decadente.

Isso não significa, de maneira alguma, que o Coxa deva desistir. Freud diz que o resultado constrangedor fez com que o Superego, a instância psíquica responsável pela moral, pelas regras e, principalmente, pela autocrítica, tomasse o controle. É o Superego quem frequentemente assume um papel sádico e punitivo contra o próprio Ego.

No sábado, quem se encarregou disso temporariamente foi o Vasco. O inusitado é que o time carioca está em recuperação judicial (o outro nome para falido) e, mesmo assim, gastou R$ 238 milhões em contratações na temporada, elevando sua dívida para R$ 1 bilhão.

É a mesma situação do Santos, que se recupera na tabela, mas ainda corre o risco de cair para a Série B e levar consigo uma dívida de R$ 2,4 bilhões, mais seis contratos de peso fechados na última janela de transferências.

No caso do Vasco e da equipe santista, o lema é aquele mesmo estampado por Onaireves Moura durante décadas na presidência da Federação Paranaense de Futebol: “Devo, não pago. Nego enquanto puder”.

Há salvação para o Coritiba? Freud diz que sim. Para sobreviver à dor e à angústia provocadas pela humilhação, o Ego ativa inconscientemente mecanismos de defesa para distorcer a realidade e proteger a autoestima. Na nona posição na tabela, o Coxa se sente confortável para agir como se nada tivesse acontecido. Foi só um caminhão que passou e ninguém anotou a placa. A etapa seguinte é a da projeção: a derrota é atribuída a fatores externos — o árbitro, o gramado, a buchada de bode no almoço.

Não demora e bate a fúria narcísica. É quando a humilhação gera uma raiva intensa e retaliatória. É quando o time reage e agride de volta para restaurar, à força, a imagem de poder que foi arranhada. Claro que é preciso também bom futebol. Mas estamos falando de psicanálise. Milagres são outro departamento.

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