Você sabe quantos países o planeta possui? Oficialmente 195. Mas tá, e daí? O que isso tem a ver com o futebol? Acredite: bastante coisa!
Estudo divulgado na semana passada mostra que 155 países tem o futebol como o esporte principal. Ora, ora, ora… quase 80% de todo o globo terrestre vê nesse esporte o seu principal esporte de entretenimento, de engajamento, de distração e de geração de receitas.
O percentual fica ainda mais “eloquente” quando levamos em consideração que, dos 45 países que preferem outra modalidade, apenas um deles possui relevância populacional, econômica e financeira. Tudo bem que esse um, sozinho, é o maior mercado do mundo, no caso os EUA (onde o futebol americano é a preferência nacional). Os outros 44 países descompensam esse poderio todo. Neles o baseball, o cricket, o basketball e o rugby são os desportos do topo.
Convenhamos, a competição não é justa, o futebol é arrasador.
Cidadãos russos e cidadãos ucranianos, em processo de guerra já há anos, sabem o desempenho de suas equipes de coração. Iranianos cultuam o futebol raiz, jogado nas ruas. Nada impede que o nosso esporte tenha a amplitude, a popularidade que tem.
Quem já entendeu o “jogo” está ganhando muito dinheiro. Quem já globalizou o produto e mostrou-o para diferentes mercados está com a carteira cheia.
O futebol gera conteúdo “imparável” em qualquer continente, superando fusos horários, adversidades, convulsões sociais, unindo classes sociais e fragmentações políticas, estabelecendo interação como nenhum outro produto ou negócio consegue chegar nem perto.
Claro que há centenas de problemas e percalços. Corrupção, pirataria, egos, centralização, etc. Os problemas nunca acabarão pois é um esporte que desperta um dos sentimentos mais agudos do ser humano: a competição, a necessidade de ganhar. Contudo, os problemas nunca farão que o produto seja diminuído em sua potencialidade comercial e nem em sua amplitude mundial de visualização.
80% do nosso mundo prefere esse jogo, ama esse jogo, venera esse esporte. Talvez isso explique (não justifique) várias situações que vemos e que custamos a entender. Muita intensidade, muita paixão, muito dinheiro e muitos interesses colocados em um só balaio. E, normalmente, quando esses ingredientes aí são misturados, o produto final nem sempre é o mais correto, o mais preciso, o mais adequado.
Mesmo assim, 80% do planeta Terra ama isso. Talvez ame justamente por ser assim como é, com suas imperfeições. Nós, seres humanos, somos cheios delas. E o futebol, no seu âmago, é um espelho dessas imperfeições ajuntadas em um campo de grama com 22 pessoas defendendo 2 cores, 2 países, 2 culturas, 2 credos. Todos querendo mostrar que as suas imperfeições podem ser menores ou menos importantes que as imperfeições de quem está do outro lado do campo.
Toda unanimidade é burra, já diria o ditado. Mas um percentual tão dominante, tão expressivo, só comprova, mostra e atesta o quão importante, grande, indispensável é o futebol.
Imagem: Gerada por IA
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