Semanas atrás a Liga Mexicana desfiliou-se da Federação Nacional. Passo gigante dado no conceito do esporte enquanto diversão, entretenimento e negócio.
O modelo adotado copia o modelo da vizinha MLS (liga profissional dos EUA), onde as equipes são franquias, empresas, núcleos de negócio.
Nem mais vou tocar no assunto (já está chato) do quanto o modelo de clube associativo está furado, defasado. Não se adequa mais ao mundo de hoje. Quem ainda defende é por conta de não ter o conhecimento pleno de todas as suas idiossincrasias ou por ter algum interesse (normalmente financeiro) na manutenção do fomato.
Voltando ao México. A Liga será vendida de forma única. Seus integrantes gladiarão entre si para saber quem terá mais ou menos benesses (isso é mercado, nada por estranhar). Suas normas, diretrizes e governança serão ditadas pelo conselho gestor da liga. Não haverá rebaixamento (esse é um dos processos que faz com que equipes sejam eternamente quebradas financeiramente ou sigam o rumo da falência, mesmo sendo gigantes sob o ponto de vista de apelo popular). Seus patrocínios serão unos. Seus horizontes comerciais, operacionais, administrativos e financeiros terão o mesmo viés.
Desportivamente, sabemos que futebol não é ciência exata e, quem for mais competente, levará os títulos e as glórias. Mas isso num ambiente equilibrado e não sujeito à ingerência de uma “federação” que pode (e normalmente tem) interesses distintos àqueles que os clubes possuem.
Quem diria? O México, que não consta na prateleira de elite do futebol mundial, que tem problemas sociais tão próximos aos do nosso País, que tem origem latina e, por tal, nem sempre com conceitos “cartesianos”, conseguiu fazer o que já poderíamos e deveríamos ter feito muito tempo atrás.
Coloquemos, agora, 10 anos em horizonte futuro e façamos nova comparação. Qual futebol estará em melhor patamar? O nosso ou o deles? Eu apostaria que lá andarão muitas milhas à nossa frente. Nossos sucessos (desportivos) passados não nos garantem horizonte futuro promissor. Paramos no tempo e o bonde da história está passando. Em um mundo globalizado, capitalista, dinâmico, esse tempo custará demais para ser recuperado.
Epílogo.
Mudando o rumo da prosa, normalmente sou direto e objetivo, mas hoje me reservei ao direito de escrever um pequeno epílogo conceitual, para que possamos refletir localmente. Temos, em nossa cidade, 3 modelos de SAF. Um por reinado, outro por adequação e sobrevivência e outro por desespero.
As 3 administrações das SAFs são “espertas”, cada qual com seus objetivos e finalidades. Mas todas compartilham do pensamento de Napoleão Bonaparte, quando estão em tratativa com suas associações originárias: “nunca interrompa seu inimigo quando ele estiver cometendo um erro”! Muito barulho, muita narrativa e pouca ou nenhuma ação/reação profissional por parte das associações, que ainda não viram que o mundo mudou!
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