Willian Shakespeare fez a versão original da, talvez, mais famosa frase da literatura mundial. Nós a adaptamos para o dilema maior que circunda a convocação da Seleção Brasileira para a Copa que se avizinha…
Posso até estar errado. Mas é a única das convocações individuais de atletas que está gerando algum burburinho, algum desconforto ou alguma repercussão.
Várias vezes já falamos do quanto a seleção nacional distanciou-se do seu torcedor. Sejamos sinceros. A Copa está pertinho e o brasileiro minimamente instruído não está nem aí para ela. A única preocupação mais séria é saber se será ou não feriado nos dias de jogo do Brasil.
Tal distanciamento, entre outros fatores, explica por qual motivo não se está discutindo em rodas de conversa nos bares, nos estádios, nas escolas, nas empresas, quais serão os nossos portentosos atletas convocados para defender nossas cores.
Sou, também, muito cético no tocante ao conhecimento que possuímos de nossos gloriosos representantes. Duvido que saibamos a escalação básica, as posições que os atletas ocupam em campo, que time defendem hoje em dia. Mais ainda, desafio alguém “comum” (não diretamente ligado ao mundo do futebol) a saber ao menos o nome de todos os convocáveis.
O único que se sobressai é Neymar. O resto é tudo igual. Jogadores que são apenas bons. Nada mais que isso. Jogadores nota 6. Panorama muito diferente do que já tivemos no passado e até mal nos acostumamos a pensar que seriam eternos.
A dúvida sobre Neymar nem deveria pairar. Não tem mais as condições físicas que já teve. O tempo é cruel. E ele também não fez todo o esforço necessário para que a ação do tempo fosse mitigada. Mas, e daí?? Não há outro. Não há nenhum atleta que possa jogar futebol de maneira diferente e que tenha passaporte brasileiro.
Muitos não o querem lá por conta de seu posicionamento político. Torcem o nariz pois ele tomou um lado. E, esses que torcem o nariz, são justamente aqueles que pedem para que todas as formas de pensamento sejam respeitadas. Dicotomia própria do hipócrita e mal instruído povo brasileiro.
Neymar na Copa gera views, gera publicidade, gera receita, gera assunto. Isso citando o lado econômico. Sob o ponto de vista esportivo, Neymar na Copa gera alerta para zagueiros e técnicos adversários. Talvez até gere um “respeito” que os maravilhosos e estupendos jogadores nota 6 que temos no nosso escrete garantidamente não são capazes de gerar.
Com ele uma chance esportiva e financeira. Ainda que não grande, mas existente. Sem ele lá na América do Norte, dinheiro será jogado fora e nossas chances se reduzem ao mínimo.
Não é o caso de “ser ou não ser”! É o caso de “ter que ser” pois não há outra opção!
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