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marcus gomes

Neymar convocado

Ninguém me tira da cabeça que o italiano Carlo Ancelotti fez parte do elenco de ‘O Poderoso Chefão’. Havia um Carlo na primeira parte da trilogia, o Rizzi, casado com a filha mais nova da família Corleone. Ao longo da trama, ele se revelará um traidor. É da natureza da Máfia. E não é pessoal, são negócios.

Ancelotti preza sua família. Mal falava português, ainda não fala, e o ex-técnico do Real Madrid já havia emplacado o nome do filho, Davide Ancelotti, na vaga de treinador do Botafogo. Antes de assumir o comando do time carioca, Davide, 36 anos, ex-jogador, era auxiliar técnico do pai na seleção brasileira. Experiência? Nenhuma. O Botafogo contratou o sobrenome.

Ancelotti, o Carlo, concedeu entrevista ao jornal The Athletic, da Inglaterra, nesta semana, dando pistas sobre a convocação de Neymar. É parte da estratégia. O meia claudicante, falador, agressivo, cai-cai e milionário estará na lista definitiva. Em gotas de ‘otimismo’ (como O.G. Mandino), o italiano está fazendo a lição de casa. Passo 1: entrevista à imprensa estrangeira. 2) convocação na segunda, às 17, horário de Brasília; 3) Participação ao vivo na bancada do Jornal Nacional.

Já disse anteriormente, nesse espaço, que Neymar deveria ser convocado porque é do nosso feitio, patrioteiro e canalha, torcer para o bandido. O melhor e o pior deles. Neymar é do tipo.

Entre tapas e acenos

Ancelotti diz: ‘Ele tem um enorme talento. O que temos que avaliar não é a habilidade de prender ou soltar a bola. É a condição física dele’. Penso em Mandino. Ancelotti diz: ‘Neymar é um jogador importante para este país pelo talento que sempre demonstrou’. Penso em Mandino. ‘Ele melhorou bastante nos últimos jogos, está atuando regularmente’. Penso em Mandino.

Neymar fez quatro jogos e um gol nos últimos 30 dias. Marcou um contra os reservas do Recoleta, time de bairro da Argentina. No mais, discutiu com o juiz, com adversários, com torcedores e ainda desferiu um tapa em Robinho Jr., filho do jogador famoso, ora passando temporada no presídio.

São sinais da evolução. O hominídeo desceu das árvores e desceu a borduna no rival mais próximo.

Por que Neymar será convocado? A palavra é audiência, aquela que satisfaz os patrocinadores. Com ele em campo, o futebol mambembe da seleção brasileira ganha atenção do telespectador. Para o bem ou para o mal.

Se ele cair e rolar ou se driblar e chutar, não importa. Sim, uma foca amestrada faria o mesmo. A diferença é que Neymar atrai publicidade e ganha R$ 150 milhões por mês. A foca não mais que duas ou três sardinhas.

Lembrem-se de Luca Brasi

Com Neymar, o Santos venceu o Coritiba, anteontem, no estádio Couto Pereira pelo placar de 2 a 0 e passou às oitavas da Copa do Brasil. O meia teve ação discreta. Não deu assistências, não marcou gols. Passou em branco como passam as nuvens brancas.

A torcida santista o considera um ex-jogador em atividade. Os analistas descreem de seu futebol dantes jogado. Mas aos olhos do capo Ancelotti ele evoluiu e só o treinador da seleção, agora de contrato renovado – R$ 5 milhões por mês – se julga em condições de avaliá-lo, porque observador privilegiado. Ora, ora.

Os coxas brancas não pouparam Neymar no fim do jogo. ‘Vai ficar em casa’, gritaram. O jogador respondeu à provocação com sorrisos e acenos. Ele deve saber das boas novas. A convocação na segunda-feira deve surpreender a zero pessoas. Neymar foi incluído na lista dos 55 e é certo que estará na dos 26. Ancelotti não quer correr riscos. Se Argentina e Portugal estão dispostos a homenagear Messi e Cristiano Ronaldo, veteranos em despedida, o Brasil, guardadas as diferenças abissais, pode fazer o mesmo.

Se convocar Neymar, o capo se livra de um problema. Neymar pode ficar no banco, no hotel ou à beira da piscina com os parças. Se não convocar, pode prejudicar os negócios. Lembremos do filme: a morte de Luca Brasi, o faz-tudo de Vito Corleone, foi comunicada à família ao melhor estilo Camorra. Com um peixe morto deixado à porta. É bom que Ancelotti se preocupe.

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